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Estudo vê potencial de elevação do embarque de carne no Arco Norte

A força do rebanho bovino brasileiro no Centro-Norte e a tendência de melhoria da infraestrutura logística na região poderão provocar uma mudança importante de eixo nas exportações brasileiras de carne congelada.

Estudo realizado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (EsalqLog) aponta que, com mais investimentos na melhoria de estradas e portos, a economia de frigoríficos habilitados a exportar localizados – ou que desejarem se instalar – em alguns municípios de Estados do Norte em relação à tradicional rota até o porto de Santos (SP) pode superar 50%.

A partir de entrevistas com profissionais de empresas exportadoras e portos, Fernando Vinícius da Rocha, pesquisador da EsalqLog, percebeu que outro grande entrave para a ampliação do uso de alguns portos no Arco Norte para a exportação de carne é a periodicidade dos navios.

Em Belém e Vila do Conde, no Pará, apenas de 15 em 15 dias chegam navios com capacidade para transportar contêineres refrigerados. Essa baixa frequência gera travas simples como o número reduzido de tomadas, necessárias para manter os contêineres ligados até o embarque.

Nesses portos também não há áreas secundárias para o armazenamento de contêineres refrigerados e a mão de obra operacional é escassa. “Assim, o tempo de carregamento de um navio é de até quatro dias, quase inviável para um produto congelado”, afirma Rocha. Além de elevar o custo, essa espera também amplia o risco de perda de qualidade no produto.

O pesquisador também lembra que as rodovias que ligam áreas produtoras de carne até os portos do Norte ainda são precárias. “Se já é complicado para um transportador de grãos ficar dois ou três dias atolado na BR-163, para quem transporta carne é impossível. A carga iria para o lixo”, diz.

É por essas e outras que, mesmo distante dos grandes frigoríficos do Centro-Norte, o porto de Santos é a porta de saída para 43% das exportações de carne bovina congelada brasileira, segundo a EsalqLog. Em seguida, graças aos frigoríficos do Sul, aparecem São Francisco do Sul (SC), com 29%, Paranaguá (PR), com 13%, e Itajaí (SC), com 8%. Por Vila do Conde são escoadas apenas 4%, e por Belém, 1%.

A EsalqLog fez uma análise de 2.506 combinações de origem e destino envolvendo 358 municípios, e a conclusão é que, não fossem os problemas descritos nas entrevistas, o uso dos portos de Belém e Vila do Conde reduziria os custos logísticos para todos os frigoríficos localizados – ou que desejarem se instalar – no Acre e no Pará. Também seria vantajoso para boa parte das unidades de Rondônia e de Mato Grosso.

Para frigoríficos de Rio Branco (AC), por exemplo, a utilização dos portos de Belém e Vila do Conde poderia gerar uma economia da ordem de R$ 100 por tonelada (aproximadamente 15% dos custos de transporte) em relação a Santos. “A redução de custos para as microrregiões de Santarém, Óbidos e Belém pode chegar a 90% se levados em conta os gastos com transporte rodoviário”, diz Rocha.

No caso de Mato Grosso, os portos do Arco Norte seriam soluções logísticas mais econômicas para o escoamento de carne bovina para 48 municípios. Unidades nas cidades de Vila Rica, Santa Terezinha e Confresa, por exemplo, poderiam ter redução de custos de até 41%.

Para frigoríficos eventualmente situados na região centro-sul de Mato Grosso, no entanto, o porto de Santos continuaria a ser a melhor solução para venda de carne bovina congelada em todos os cenários traçados pela EsalqLog.

Segundo o estudo, portos onde ainda não há exportação de congelados, caso de Santarém (PA) e Itacoatiara (AM), também podem se mostrar interessantes, desde que preparados para a operação.

A redução de custos desde algumas cidades do Acre seria de até 49% na operação de transporte rodoviário se comparado a Vila do Conde. Em Rondônia, ganhos econômicos de até 56% são estimados para o município de Porto Velho no caso da utilização de Itacoatiara para a saída da carne.

No Pará, os benefícios potencialmente oferecidos por esses portos analisados seriam ainda superiores – até 78% de economia com o transporte rodoviário, no caso das localidades mais próximas do porto de Santarém.

Os portos de Santarém e Itacoatiara também contribuiriam para a redução dos custos de transporte rodoviário se a origem das exportação for em algum dos municípios da região norte do Mato Grosso, principalmente Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, afirma Rocha. Para esses locais, a economia em frete é estimada em R$ 100 por tonelada (aproximadamente 22% a menos do que na rota de exportação pelo porto de Vila do Conde).

“Podemos perceber que investir nesse portos traria uma economia significativa para os exportadores de carne bovina. Mas eles resistem em arcar com a infraestrutura desse locais porque também há dificuldades operacionais e de pessoal, além de transtornos no caminho para esses locais”, acrescenta.

O pesquisador observa que o porto de Santos tem 7.179 tomadas para contêineres refrigerados e cinco câmaras frigoríficas que somam 24 mil metros cúbicos de capacidade de armazenagem. Em São Francisco do Sul, há 2.690 tomadas e uma câmara para 20 mil toneladas. Já Belém conta com apenas 56 tomadas para os contêineres e uma câmara frigorífica com capacidade para apenas dois contêineres, enquanto Vila do Conde tem em sua área arrendada 50 tomadas e uma câmara frigorífica de 100 metros quadrados.
 

 

 

Fonte: Valor Econômico

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