Transporte de contentores: gigante também a destruir valor

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Nos últimos 21 anos, as companhias de transporte marítimo de contentores destruíram mais de 100 mil milhões de dólares de valor dos seus accionistas, “acusa” a McKinsey. A “culpa” é do continuado excesso de capacidade.

A destruição de valor, de cerca de 82 mil milhões de dólares nas contas da consultora, terá sido particularmente grave entre 2011 e 2016, quando o retorno médio do capital investido (ROIC) do sector foi consistentemente inferior ao custo médio ponderado de capital (WACC).

Na prática, na indústria do transporte marítimo de contentores a rendibilidade média do capital investido fica, em média, abaixo dos 2%. Pior só mesmo o transporte de granéis. Muito melhor faz a indústria de cruzeiros, com um ROIC de mais de 121%.

A McKinsey cita o exemplo da Maersk Line, número um mundial, que no ano passado alcançou um ROIC de apenas 2,9% com um volume de vendas de 23,8 mil  milhões de dólares, e que no exercício anterior entregou mesmo um ROIC negativo de 1,9% com um volume de receitas de 20,7 mil milhões de dólares.

“O excesso de capacidade é a principal razão para o mau desempenho e, infelizmente, veio para ficar. A oferta actual de capacidade de contentores é cerca de 20% superior à procura”, indica o relatório.

A McKinsey salienta, porém, entender o desafio que as companhias enfrentaram durante a última década (2007 a 2016): “Como os concorrentes encomendaram nova e mais eficiente tonelagem, não havia escolha se não fazer o mesmo ou ficar para trás”.

O pior foi que o excesso de capacidade sobre a oferta motivou os operadores a aceitarem praticamente qualquer preço, mesmo se os fretes mal pagavam os custos marginais. “Afinal, carregar alguma coisa nos navios é hoje melhor do que transportar ar”, resume.

“Muitos observadores da indústria estão a prever o fim do ambiente destrutivo dos preços médios dos fretes. Infelizmente, não somos tão optimistas”, reforça a McKinsey.

O crescimento lento da economia global está, de acordo com a consultora, a exacerbar a situação. A McKinsey destaca três pontos. Primeiro, a quebra económica em muitos países prejudicou o consumo das famílias. Em segundo lugar, o crescimento do PIB mundial de 2017 a 2019 deverá ficar-se em 2-3%, contra 4-5% nos anos de crescimento. Por último, e pior ainda, o multiplicador do PIB da indústria, que aumentou à medida que as cadeias de abastecimento globalizaram, está a cair. Este chegou a ser de três e, hoje, é de um.

Face a este cenário, a consolidação do sector veio para ficar. Até porque até ao momento não foi suficiente para inverter a situação. E mesmo se as fusões e aquisições também têm implícitos riscos de perdas de receita.

 

 

 

Fonte: Transportes & Negócios

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