19/06/2026 às 10h52min - Atualizada em 19/06/2026 às 10h52min

Sua empresa de óleo e gás está vazando dinheiro e você provavelmente ainda não percebeu

por: Larissa Ramos

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Larissa Ramos

Larissa Ramos

Colaborador nas colunas, Petróleo & Gás - Mídias Digitais.

Créditos: Podcast - PodNavegar

Escrevo sobre comunicação. E hoje vou falar sobre dinheiro. Não porque mudei de assunto, mas porque, quanto mais eu mergulho no universo das empresas de óleo e gás, mais fica claro que comunicação e gestão financeira têm o mesmo problema de raiz: a informação existe, mas não chega a quem precisa dela, na hora certa, do jeito certo.

Quando alguém fala em "vazamento" no setor de óleo e gás, a imagem é dramática. Óleo derramado, crise ambiental, proporções gigantescas. Mas existe outro tipo de vazamento acontecendo agora mesmo dentro das empresas do setor, silencioso, invisível e igualmente perigoso para a saúde do negócio. É dinheiro escorrendo pela operação. Gota a gota. Todo dia.

Pense no vaso sanitário do seu banheiro. Se você não prestar atenção, não vai ver aquele fio d'água que escorre sem parar. Ele cai continuamente, sem que ninguém perceba, porque tudo parece funcionar normalmente. Você só vai notar quando a conta chegar. E aí tudo vira um grande problema para resolver às pressas, muitas vezes sem ir à origem, só tampando o buraco para o problema voltar depois.

É exatamente assim que funciona o vazamento financeiro nas empresas. Os processos rodam no piloto automático há meses, a receita está entrando, a margem parece aceitável, e a sensação geral é de que está tudo sob controle. O problema é que "parece" não é dado. E feeling não é gestão.

Existe um padrão que se repete nas empresas do setor, independentemente do tamanho: a crença de que os processos internos estão bem porque nunca deram problema grave. Mas quem está realmente olhando? Quando você tem muita coisa para fazer, e no setor de óleo e gás sempre tem, o olhar crítico sobre os processos de suporte é o primeiro a ser sacrificado. A controladoria, o financeiro, o back office ficam em segundo plano enquanto a operação principal consome toda a atenção.

Um sinal claro disso: se a sua empresa tem o mesmo fluxo financeiro rodando há mais de um ano, exatamente igual, já há um problema. Não porque o processo seja necessariamente errado, mas porque o mundo ao redor mudou e ele não acompanhou. Tecnologias surgiram, volumes cresceram, pessoas mudaram, e o processo ficou parado no tempo, acumulando ineficiências que ninguém para para contabilizar. Cada hora desperdiçada num processo manual que poderia ser automatizado é dinheiro saindo sem aparecer em nenhuma linha do orçamento.

E as empresas mais vulneráveis a esse tipo de vazamento são, curiosamente, as que estão indo bem. As superavitárias, com boa receita e margem aparentemente saudável, são as que menos percebem o problema, justamente porque o dinheiro entrando com facilidade mascara o que sai sem controle. A subestimação do custo pequeno, recorrente e invisível é o que transforma empresas sólidas em empresas frágeis ao longo do tempo.

Voltando à comunicação: o vazamento financeiro raramente começa nos números. Ele começa quando a informação para de circular, quando o processo vira rotina e ninguém mais questiona se ainda faz sentido, quando os dados existem, mas ninguém os lê com olhar crítico. A empresa que não comunica bem internamente, que não tem clareza sobre o que acontece nos seus próprios processos de suporte, está perdendo dinheiro sem saber por onde.

No setor de óleo e gás, manutenção preventiva é religião. Nenhuma empresa séria espera uma falha de equipamento para agir. O parque industrial é monitorado, auditado, revisado continuamente. A pergunta que fica é simples: por que o setor financeiro seria diferente?

*Este artigo é baseado no episódio do Pode Navegar, o podcast da Estação Criativa feito especialmente para o setor de óleo, gás e energia.*

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