08/03/2026 às 15h48min - Atualizada em 08/03/2026 às 15h48min

Liderança feminina: competência e resistência

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por: Associação Mulheres e Portos
Foto gerada por IA

A liderança feminina nas organizações contemporâneas é marcada por dois elementos inseparáveis: competência e resistência. Competência para alcançar resultados em ambientes cada vez mais complexos e competitivos; resistência para avançar em estruturas que, historicamente, não foram desenhadas considerando plenamente a presença das mulheres nos espaços de decisão.

Nas últimas décadas, a presença feminina no mercado de trabalho cresceu de forma consistente. Mais mulheres estudam, se qualificam e ocupam posições estratégicas nas organizações. No entanto, em setores tradicionalmente masculinos, como o portuário, esse avanço ainda ocorre de forma gradual e acompanhado de desafios estruturais.

Um dos obstáculos mais discutidos é o chamado broken rung, ou “degrau quebrado”. O termo descreve o momento em que muitas mulheres deixam de ser promovidas ao primeiro nível de liderança. Quando esse primeiro passo não acontece, a consequência é previsível: menos mulheres chegam aos níveis mais altos da hierarquia organizacional.

Essa dinâmica revela uma assimetria ainda presente em muitas empresas: homens são frequentemente promovidos pelo potencial, enquanto mulheres precisam comprovar resultados consistentes antes de receber as mesmas oportunidades.

Como observa a socióloga Rosabeth Moss Kanter, “as organizações não mudam apenas por boas intenções, mas quando reconhecem que diversidade e inclusão são fatores estratégicos de desempenho”.¹

Esse reconhecimento tem avançado, mas ainda enfrenta resistências culturais. Em ambientes tradicionalmente masculinos, a liderança feminina muitas vezes é avaliada com uma lente mais rígida. Não por acaso, levantamento recente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários indica que as mulheres ainda representam menos de um quinto da força de trabalho do setor portuário, e sua presença em cargos de direção permanece significativamente inferior à masculina.²

Mesmo assim, as mulheres continuam avançando e avançam porque entregam resultados. Embora os números ainda sejam modestos, eles indicam um movimento gradual de ampliação da participação feminina, especialmente em áreas de gestão e funções estratégicas.

Essa evolução reforça uma constatação importante: diversidade não é apenas uma pauta social, mas também um fator de fortalecimento institucional. Como destaca Sheryl Sandberg, “quando mais mulheres ocupam posições de liderança, as organizações se tornam mais inovadoras e mais preparadas para decisões complexas”.³

Em setores estratégicos como o portuário, essa pluralidade de perspectivas fortalece a tomada de decisões e amplia a capacidade de inovação. No entanto, reconhecer os benefícios da diversidade é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio está em transformar esse reconhecimento em práticas concretas.
Isso passa por critérios transparentes de promoção, programas de desenvolvimento de lideranças femininas, enfrentamento de vieses inconscientes e ambientes de trabalho psicologicamente seguros. São medidas que não beneficiam apenas as mulheres, fortalecem as próprias organizações.

A história da liderança feminina mostra que cada avanço foi conquistado com preparo, consistência e perseverança. Cada mulher que alcança uma posição de liderança representa mais do que uma conquista individual: representa um passo na transformação das organizações.

Essa transformação não acontece apenas nos espaços de decisão. Ela também está presente no cais, onde mulheres atuam em funções técnicas essenciais para a segurança das operações portuárias.

Na próxima semana, a série Mulheres que Fazem História no Porto traz um novo olhar: a segurança do trabalho com olhar feminino, destacando as profissionais que, com conhecimento técnico, atenção e responsabilidade, ajudam a proteger vidas e fortalecer a cultura de segurança no porto.
Associação Mulheres & Portos
Promovendo liderança, equidade e transformação no setor portuário brasileiro.
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Notas de rodapé
¹ KANTER, Rosabeth Moss. Men and Women of the Corporation. New York: Basic Books, 1977.
² AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS (ANTAQ). 2ª Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário. Brasília: ANTAQ, 2023.
³ SANDBERG, Sheryl. Lean In: Women, Work, and the Will to Lead. New York: Alfred A. Knopf, 2013.

 

O conteúdo desse artigo é de responsabilidade do seu autor e não representa exatamente a opinião do JORNAL PORTUÁRIO.

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