Empresa multinacional com forte ligação à Suíça, luta contra exclusão em Megaleilão
Patricio Junior em evento Summit Portos, realizado em Brasília - Divulgação/DFFOTO
São Paulo, 12 de dezembro de 2025 – Em um embate que mistura política, direito e interesses bilionários, o futuro do Tecon 10, megaterminal que movimentará metade das cargas do Porto de Santos, está em jogo. A TiL (Terminal Investment Limited), uma empresa com sede na Suíça, especificamente em Genebra, é uma subsidiária da gigante de transporte de contêineres MSC(Companhia de Navegação do Mediterrâneo).
Ela investe, desenvolve e opera terminais de contêineres globalmente, sendo um player importante no setor portuário, trava uma luta contra o tempo após recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que pode excluir todos os armadores da fase inicial do leilão.
A posição do TCU, aprovada por seis votos a três na última segunda-feira (8), é ainda mais restritiva que a proposta original da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Enquanto a agência queria limitar apenas empresas com terminais em Santos, o tribunal sugere barrar todas as companhias de navegação na primeira etapa, movimento que afetaria diretamente a MSC, responsável por 20% da movimentação global de contêineres.
O imbróglio regulatório, entre recomendações e decisões executivas
Em entrevista no dia 11 de novembro cedida à Folha de S.Paulo, Patricio Junior, diretor de investimentos da TiL, não escondeu seu inconformismo. "Estamos na luta até o final", afirmou, destacando que a empresa possui 25 anos de atuação no Brasil. Para ele, a divergência entre órgãos públicos expõe falhas no processo, citando que tanto o Ministério Público do TCU quanto o Ministério da Fazenda posicionaram-se a favor da livre concorrência.
O executivo revelou à Folha que "não foi feito nenhum estudo sobre o impacto de excluir armadores" e que o tema "nunca foi discutido em audiência pública". Segundo sua avaliação, a minoria que votou contra a restrição no TCU o fez com base em argumentos técnicos e jurídicos, enquanto a maioria que aprovou a recomendação priorizou outros aspectos, que ele não considera embasados em dados do setor.
Concentração ou mercado livre? O debate que divide especialistas
O cerne da controvérsia, conforme detalhado na entrevista ao jornal, está na alegação de que a participação de armadores levaria à concentração excessiva no porto santista. A MSC, sócia da Maersk no BTP (Brasil Terminal Portuário), rejeita essa tese.
Patricio Junior argumentou, em suas declarações à Folha, que "todos os operadores portuários atuam em qualquer lugar" e citou como exemplo a recente análise do Cade sobre a compra da Santos Brasil pela CMA CGM, que não encontrou irregularidades. Sobre o risco de concentração, questionou: "Por que no Brasil só tem três companhias aéreas? O mercado não é tão grande para ter mais oferta".
O risco, segundo a empresa, é exatamente o oposto: limitar a concorrência. "Daqui a pouco, você vai direcionar para alguém, e não é isso o que a gente quer", alertou o diretor na entrevista.
Cenários possíveis: Judicialização iminente e impacto nas relações internacionais
Conforme revelado na conversa com a Folha, o impasse regulatório caminha para a judicialização. A Maersk já questionou as restrições na Justiça, e a MSC não descarta seguir o mesmo caminho caso a recomendação do TCU seja acatada.
Sobre possíveis contradições internacionais, o executivo ponderou à reportagem o cenário de o Brasil, por meio do Mercosul, fechar acordo com a Europa e depois proibir empresas europeias de participarem do leilão no principal porto do país.
Com investimentos bilionários em jogo e a promessa de modernização da infraestrutura portuária nacional, o desfecho desta disputa definirá não apenas os rumos do Porto de Santos, mas também o sinal que o Brasil enviará ao mercado internacional sobre abertura competitiva.
Com base em entrevista à Folha de S.Paulo
Esta reportagem foi desenvolvida a partir das informações e declarações concedidas por Patricio Junior, diretor da Terminal Investment Limited (TiL), ao jornal Folha de S.Paulo, em 11 de dezembro de 2025. O conteúdo foi redigido de forma independente, contextualizando os fatos reportados sem reproduzir o texto original, em respeito ao trabalho jornalístico da fonte.