Porto de Santos enfrenta novo embate bilionário por condomínio logístico

Por Luiz C [email protected]
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Porto de Santos enfrenta novo embate bilionário por condomínio logístico
Divulgação

Os planos de expansão do Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, voltaram ao centro de uma disputa bilionária. Em meio às controvérsias que cercam o leilão do Tecon Santos 10, um novo embate surgiu a partir de um edital publicado pela Autoridade Portuária de Santos (APS) para a implantação de um condomínio logístico dentro da área portuária.

O edital, lançado no fim de outubro, prevê a cessão onerosa de uma área de aproximadamente 242 mil metros quadrados na margem direita do porto, destinada à instalação de galpões e estruturas de apoio logístico. A expectativa da estatal é gerar receitas superiores a R$ 1,06 bilhão ao longo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação do contrato.

A forma escolhida para a contratação, no entanto, provocou reação imediata de entidades representativas do setor. A APS optou por um modelo de cessão de uso, considerado mais simples do que um arrendamento portuário tradicional, com menos exigências regulatórias. Outro ponto criticado foi o prazo entre a publicação do edital e a entrega das propostas, fixado em 22 dias.

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Para justificar o modelo, a estatal argumenta que a área não afeta diretamente a operação portuária. Segundo a APS, o empreendimento teria natureza de infraestrutura de apoio logístico terrestre, atuando exclusivamente na fase pré-gate, antes da entrada das cargas nos terminais.

A interpretação foi contestada por seis associações nacionais do setor, Abratec, ABTL, ABTP, ABTRA, ATP e Fenop, que encaminharam carta conjunta ao Ministério de Portos e Aeroportos e à Antaq pedindo a anulação do edital. Para as entidades, o terreno integra o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos, aprovado em 2020, e está classificado como área destinada à operação portuária nos horizontes de curto, médio e longo prazos.

As associações também apontam a ausência de estudos técnicos essenciais, como o EVTEA, além de análises de impacto de tráfego e de vizinhança. O receio é de que o empreendimento gere aumento significativo no fluxo de caminhões em uma região já pressionada por gargalos viários, sem que haja detalhamento sobre como essa demanda adicional seria absorvida.

A área técnica do Ministério de Portos e Aeroportos analisou as reclamações e concordou com o entendimento do setor privado. Em parecer divulgado na primeira semana de janeiro, o ministério concluiu que a área do projeto se enquadra como afeta à operação portuária, conforme o PDZ vigente.

Diante do impasse, a licitação foi paralisada por decisão da 1ª Vara Federal de Santos, após a concessão de um mandado de segurança.

Mesmo assim, a APS manteve sua posição. Em nota, a estatal afirmou que a interpretação do ministério e das associações está equivocada e reforçou que a área, conhecida como Terreno da Rede, antiga área da RFFSA, é historicamente classificada como não afeta às operações portuárias.

Segundo a autoridade portuária, apenas áreas que realizam diretamente a movimentação ou armazenagem vinculada ao transporte aquaviário podem ser consideradas operacionais. O condomínio logístico, afirma a APS, não contará com berços de atracação, não fará movimentação direta de cargas dos navios e não integrará o sistema operacional dos terminais.

Sobre o prazo para apresentação das propostas, a estatal argumenta que o período atende à Lei das Estatais e que o edital não exige projetos de engenharia complexos nessa fase.

Apesar da judicialização, a APS informou que pretende manter o modelo adotado, alegando que as regras atuais preservam a concorrência e evitam a formação de monopólios verticais, garantindo acesso equitativo à infraestrutura logística do Porto de Santos.


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