Presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga defende planejamento com execução e financiamento adequado
Divulgação - ANUT
O programa Integração 5.0 promoveu um debate aprofundado sobre os gargalos logísticos que comprometem a competitividade do Brasil no cenário internacional. O convidado foi Luís Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), entidade que representa diversos setores industriais responsáveis por cerca de um terço da carga movimentada no país.
Segundo Baldez, o principal entrave estrutural está no setor ferroviário. O Brasil possui malha insuficiente e grande parte dela é concentrada no transporte de minério de ferro, o que limita a diversificação e reduz a competitividade de outros segmentos produtivos. Sem ferrovia adequada, a carga migra para as rodovias, sobrecarregando estradas, elevando custos e impactando centros urbanos.
O dirigente destacou ainda que o Brasil sabe planejar, mas falha na execução. Projetos ferroviários levam de sete a dez anos para entrar em operação, exigindo previsibilidade regulatória e segurança jurídica. A instabilidade em licenças ambientais e a atuação de múltiplos órgãos públicos com poder decisório tornam o ambiente mais arriscado para investidores.
Outro ponto crítico é o financiamento. Baldez defende que linhas de crédito, especialmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, precisam ser moldadas conforme a natureza dos projetos de infraestrutura, que demandam longo prazo de maturação. Ele ressaltou que iniciar pagamentos antes da operação plena inviabiliza economicamente muitos empreendimentos.
O debate também abordou o acordo entre Mercosul e União Europeia. Para o presidente da ANUT, o acordo é positivo, mas exigirá maior eficiência logística interna. Atualmente, o custo logístico brasileiro é significativamente superior ao de países europeus e dos Estados Unidos, o que pode comprometer a competitividade da indústria nacional.
Dados citados no programa indicam que apenas com demurrage, taxa paga por atraso na liberação de navios, o Brasil desembolsou bilhões de reais no último ano. Recursos que poderiam ser revertidos em novos terminais e melhorias estruturais acabam sendo consumidos pela ineficiência operacional.
No encerramento, o convidado reforçou que a convergência entre poder público e iniciativa privada é essencial para transformar planejamento em execução física. Para ele, o futuro da logística brasileira depende de decisões estruturantes que reduzam o custo Brasil e garantam competitividade sustentável às próximas gerações.