Acordo entre Mercosul e União Europeia pode fortalecer o agronegócio brasileiro

Acordo deve impulsionar exportações de soja e ampliar competitividade do agro

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O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) é considerado um dos mais relevantes para o agronegócio sul-americano nas últimas décadas, especialmente quando se considera o peso que Brasil, Argentina e Paraguai têm na produção e exportação de soja.

Iniciadas em 1999, as negociações atualmente dependem da ratificação dos parlamentos de alguns países. O tratado envolve os quatro países do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e os 27 integrantes da União Europeia. 

O principal ponto da negociação é a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação: a União Europeia ampliará o acesso a produtos agropecuários do Mercosul, como carne bovina e frango, enquanto o Mercosul reduzirá tarifas para produtos industrializados europeus, como automóveis e máquinas. Além de incluir cláusulas ambientais rígidas, como a suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris e a proibição de produtos ligados ao desmatamento ilegal. 

O Mercosul e a União Europeia formam um dos maiores acordos comerciais do mundo em termos de população e PIB. Para o Mercosul, a União Europeia representa um mercado consumidor altamente exigente e com elevado poder aquisitivo. Já para os europeus, a América do Sul é uma fornecedora estratégica de alimentos, especialmente grãos e proteínas.

Considerando o mercado de produção de soja, o Brasil lidera o ranking, com 171,5 milhões de toneladas, sendo o maior produtor mundial. A Argentina ocupa a terceira posição, com 51,1 milhões de toneladas, e o Paraguai a sexta posição, com 10,2 milhões de toneladas produzidas, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)/WASDE(World Agricultural Supply and Demand Estimates) referentes à safra 2024/25. Juntos, os três países possuem uma fatia significativa da oferta global de soja e derivados.

Por isso, o acordo tende a trazer alguns impactos para a soja, como maior previsibilidade e segurança jurídica e estímulo à agregação de valor, pois, ao facilitar o acesso ao mercado europeu, incentiva a produção de produtos processados à base de soja, ampliando a geração de renda e empregos na indústria.