Disputa bilionária marca nova fase na gestão portuária do Canal do Panamá
APM Terminals e TiL operarão os terminais enquanto ocorre seleção definitiva
Divulgação
A Autoridade Marítima do Panamá anunciou a assinatura de contratos temporários para a operação dos portos de Balboa e Cristóbal, localizados em extremidades opostas do Canal do Panamá.
O terminal de Balboa passa a ser operado pela APM Terminals, braço portuário do grupo Maersk, enquanto o terminal de Cristóbal ficará sob gestão da Terminal Investment Limited, ligada à MSC. As empresas assumem a administração provisória enquanto o governo conduz o processo de seleção dos operadores permanentes.
A mudança ocorre após o encerramento da concessão da Panama Ports Company, controlada pela holding chinesa CK Hutchison. A decisão foi formalizada com a publicação, em 23 de fevereiro, do entendimento do Supremo Tribunal do Panamá, que declarou inconstitucional a lei contratual vigente desde 1997 para a operação dos dois terminais.
Segundo a Autoridade Marítima, a publicação no Diário Oficial tornou definitiva a decisão judicial, permitindo que o Estado tomasse posse dos portos por meio de decreto de ocupação. O órgão ressaltou, no entanto, que a medida não configura expropriação e que os equipamentos permanecem de propriedade da concessionária anterior.
Juntos, Balboa e Cristóbal movimentaram 3,77 milhões de contêineres em 2025, o equivalente a 38% de todo o sistema portuário panamenho, evidenciando o peso estratégico dos dois terminais para o comércio internacional e para as operações ligadas ao Canal.
A Maersk informou que a APM Terminals iniciou uma fase de estabilização em Balboa para assegurar a continuidade das atividades logísticas. O processo inclui inventário de cargas e equipamentos, avaliação de infraestrutura e implementação de novo sistema operacional. Durante essa etapa, a movimentação de contêineres poderá sofrer regulamentações até a normalização gradual das operações.
Por sua vez, a CK Hutchison anunciou que recorrerá da decisão e já acionou arbitragem na Câmara de Comércio Internacional. A holding afirmou que poderá buscar indenização estimada em até dois bilhões de dólares. Após o anúncio da perda da concessão, as ações da empresa registraram queda de 1,8%, segundo noticiado pelo Investing.com.
O episódio inaugura um novo capítulo na governança portuária panamenha, com impactos relevantes para armadores globais e para a dinâmica logística de uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.