Houthis sinalizam novos ataques a navios no Mar Vermelho
O movimento Houthi, do Iêmen, sinalizou que pretende retomar os ataques contra a navegação comercial no Mar Vermelho e em áreas próximas, encerrando um período de relativa calmaria que durou cerca de três meses e meio.
De acordo com a imprensa internacional, representantes do grupo afirmaram que voltarão a realizar operações com mísseis e drones contra embarcações que cruzam rotas estratégicas da região. A decisão seria uma resposta à ação militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Durante a campanha anterior, entre 2024 e 2025, o grupo já havia atingido navios no Mar Vermelho e no Golfo de Aden.
Os houthis haviam suspendido os ataques em larga escala em meados de novembro de 2025, após uma desescalada regional associada ao cessar-fogo em Gaza. Entre 11 de novembro de 2025 e o fim de fevereiro de 2026, não houve registros contínuos e confirmados de ofensivas com mísseis ou drones contra navios mercantes. As novas declarações foram feitas no sábado (28/2).
O Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (BIMCO), maior associação internacional de navegação, alertou que embarcações com vínculos comerciais com interesses dos Estados Unidos ou de Israel podem enfrentar risco elevado caso os ataques sejam retomados.
Segundo autoridades de segurança da entidade, os padrões anteriores de ataque iam além do país de bandeira dos navios. Eram considerados fatores como propriedade, afretamento, rotas comerciais e conexões corporativas ligadas a Israel ou aos EUA.
A BIMCO também destacou que o risco não se restringe a navios com vínculos diretos. Em ciclos anteriores, embarcações sem ligações claras com os dois países também foram atingidas, o que amplia a incerteza para operadores e seguradoras.
Diante do cenário, a entidade recomenda que embarcações que já estejam em trânsito pela região avaliem alternativas como adiar viagens, buscar abrigo em águas territoriais, quando permitido, ou redirecionar rotas, dependendo das cláusulas contratuais, condições de seguro e regulamentações costeiras.
A possível retomada dos ataques reacende preocupações sobre o impacto no comércio global, já que o Mar Vermelho é uma das principais rotas de transporte marítimo do mundo, conectando a Ásia à Europa por meio do Canal de Suez.