MSC decreta “fim de viagem” para contêineres com destino ao Golfo Árabe
Empresa informou que contêineres em trânsito serão descarregados em portos seguros antes do destino final
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A Mediterranean Shipping Company (MSC), considerada a maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, comunicou exportadores brasileiros que cargas com destino ao Oriente Médio terão a viagem interrompida devido à escalada da guerra na região.
Empresas brasileiras do setor de carne foram notificadas pela companhia de que contêineres destinados a portos do Golfo Árabe estão sujeitos à declaração de “fim de viagem” (End of Voyage). Na prática, isso significa que os contêineres em trânsito poderão ser descarregados em portos considerados seguros antes de chegar ao destino final.
O aviso foi enviado a clientes da empresa, incluindo companhias associadas à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Segundo o comunicado, as cargas serão deixadas no porto seguro mais próximo e ficarão à disposição dos proprietários. Além disso, a empresa informou que aplicará uma sobretaxa de US$ 800 por contêiner, valor equivalente a cerca de R$ 4,2 mil, além de repassar aos clientes os custos de descarga, manuseio e armazenagem.
“Diante do atual cenário no Oriente Médio e dos recentes acontecimentos que tornaram o ambiente ainda mais sensível, a MSC lamenta informar que se vê obrigada a declarar fim de viagem”, afirmou a companhia em mensagem enviada aos clientes.
Exportadores afirmam ter sido surpreendidos pela decisão. Um empresário do setor de carnes, que preferiu não se identificar, relatou que nunca havia recebido uma comunicação semelhante.
Segundo ele, dois contêineres da empresa poderão ser descarregados em um porto ainda não informado pela transportadora. Caso desejem retirar a carga ou redirecioná-la, os proprietários ainda terão de arcar com custos adicionais.
O caso foi encaminhado ao departamento jurídico da empresa exportadora, embora especialistas apontem que contratos de transporte marítimo costumam prever cláusulas que permitem decisões desse tipo em situações de risco à navegação.
A medida ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o nível de alerta em rotas estratégicas do comércio marítimo internacional.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirma que o setor já começa a observar efeitos logísticos nas exportações brasileiras.
Segundo ele, há relatos de navios interrompendo rotas, cargas sendo desviadas para portos alternativos e dificuldades operacionais em corredores marítimos importantes, como o Canal de Suez.
Perosa ressalta que, embora o impacto ainda não seja generalizado, a situação preocupa o setor exportador. O Oriente Médio funciona como um grande hub logístico para a carne bovina brasileira e movimenta valores expressivos.
Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para a região somaram aproximadamente US$ 2 bilhões. Considerando cargas que transitam por esses corredores logísticos, o volume potencialmente afetado pode chegar a US$ 6 bilhões.
*Procurada, a MSC não respondeu aos questionamentos do Jornal Portuário até a publicação desta reportagem.