Transporte ferroviário bate recorde de cargas no Brasil e reforça papel estratégico para a logística
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A movimentação de cargas por ferrovias no Brasil atingiu 555,48 milhões de toneladas úteis (TU) em 2025, o maior volume já registrado no país. O resultado representa crescimento de 2,57% em relação a 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Transportes, e confirma o avanço do modal ferroviário no abastecimento interno e no comércio exterior.
O presidente da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI) e pré-candidato ao governo de MT, senador Wellington Fagundes (PL-MT), destacou que o desempenho reflete avanços importantes no ambiente regulatório e na atração de investimentos para o setor.
“Os dados de aumento no volume de cargas transportadas pelo setor ferroviário nos últimos três anos, divulgados pelo Ministério dos Transportes, indicam que estamos no caminho certo ao buscar um arcabouço regulatório que traga mais segurança jurídica e modernidade às atividades do transporte”, afirmou.
O presidente lembrou que dois marcos legais foram decisivos para impulsionar os investimentos ferroviários no país.
“Nos governos anteriores conseguimos aprovar dois marcos importantes para o setor: a Lei nº 13.448/2017, que trata da renovação antecipada dos contratos ferroviários, e a Lei nº 14.273/2021, o novo marco legal das ferrovias, que instituiu o modelo de outorga por autorização. Em Mato Grosso, essas medidas possibilitaram grandes empreendimentos, como a extensão da Ferronorte de Rondonópolis para Primavera do Leste, Dom Aquino, Cuiabá e Lucas do Rio Verde, além da construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), ligando Mara Rosa, em Goiás, até Água Boa, no Mato Grosso”, destacou.
Segundo Fagundes, incentivar investimentos em infraestrutura e fortalecer a segurança jurídica é parte central da atuação da frente parlamentar.
“Promover investimentos, ampliar a segurança jurídica e incentivar a expansão da infraestrutura logística é um papel fundamental da FRENLOGI”, disse.
O presidente da FRENLOGI também alertou que as tensões internacionais, a guerra entre EUA/ Israel contra o Irã, podem gerar impactos na cadeia logística e nos custos do transporte.
“Neste momento de tensões internacionais, podemos ter uma escalada nos preços de combustíveis e fertilizantes, com impactos relevantes nos contratos do agronegócio e na cadeia logística brasileira, especialmente no custo do frete e no preço dos alimentos. Logística é política de Estado, logística é política agrícola e logística é política econômica. Precisamos nos unir em um grande esforço nacional para ampliar a oferta de infraestrutura em todos os modais de transporte”, declarou.
Sobre os dados do Ministério, Davi Barreto, conselheiro do Instituto Brasil Logística (IBL) e diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), afirmou que o recorde na movimentação ferroviária demonstra a consolidação do modal como eixo estratégico da logística brasileira.
“O novo recorde confirma a crescente relevância do transporte ferroviário para toda a logística de cargas do Brasil. Essa marca histórica reflete ganhos operacionais, aumento da demanda por exportações e, sobretudo, um ciclo consistente de investimentos privados no setor. As mais de 555 milhões de toneladas transportadas mostram o amadurecimento das ferrovias como eixo estruturante de uma logística mais eficiente e sustentável”, afirmou.
O Ministério dos Transportes atribui o resultado ao avanço das políticas voltadas à expansão da malha logística nacional. A previsão é de R$ 140 bilhões em investimentos no setor ferroviário até 2026, com a realização de oito leilões até o fim do ano. A estimativa da pasta é que, ao longo dos próximos anos, o volume total de investimentos no modal alcance cerca de R$ 600 bilhões.
De acordo com o governo, o fortalecimento das cadeias de transporte terrestre busca ampliar a eficiência no escoamento da produção nacional. Um exemplo é o transporte de grãos produzidos em Mato Grosso, principal estado produtor do país, que podem seguir por ferrovias até o Sudeste e aos portos da região, reduzindo o fluxo de caminhões nas rodovias e contribuindo para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.
Levantamento da Infra S.A. sobre a movimentação ferroviária em 2025 mostra que o setor agrícola registrou o maior crescimento, com alta de 4,62%. Na sequência aparecem outras mercadorias, com avanço de 3,43%.
O minério de ferro permanece como o principal produto transportado, com 401,35 milhões de toneladas úteis, volume 2,72% superior ao registrado em 2024.
Atualmente, o Brasil possui 14 concessões ferroviárias em operação. Segundo o Ministério dos Transportes, uma das prioridades tem sido reorganizar a carteira de projetos do setor para garantir maior efetividade na execução das iniciativas.