Representantes dos caminhoneiros decidem suspender greve

O dia 26 de março foi estabelecido como a data limite para a definição de uma decisão

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Na última quinta-feira (19), representantes dos caminhoneiros se reuniram na sede do Sindicam (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira), em Santos, para discutir uma possível paralisação das atividades nos próximos dias. 

Entidades ligadas aos caminhoneiros decidiram permanecer em estado de greve, o que significa que estão sinalizando que podem paralisar as atividades a qualquer momento. A classe definiu a próxima quinta-feira (26) como data limite para a decisão, pois, enquanto isso, os representantes dos caminhoneiros tentarão entrar em acordo com o Governo Federal.

O aumento do preço do óleo diesel e o descumprimento da tabela mínima de frete são apontados como os motivos principais da greve. 

Em nota, a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) informou que os caminhoneiros concordaram em suspender a paralisação após a publicação da Medida Provisória nº 1.343/2026, no Diário Oficial desta quinta-feira. Assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a medida atende pautas reivindicadas pela categoria, como a regulamentação do Piso Mínimo de Frete, estabelecendo mecanismos concretos para o cumprimento da lei.

A medida foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial da União e torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), possibilitando que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cruze os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário.

O texto prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela. Em caso de reincidência, a empresa poderá ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso cautelarmente ou a autorização cancelada por até dois anos. Além disso, o Governo também publicou o Decreto nº 12.883/2026, com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel.

Luciano Santos, presidente do Sindicam-Baixada Santista, afirmou em assembleia que há negociações com o Governo Federal. “Não é o momento de greve. Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também.”

Já o presidente da CNTTL, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, salientou que a categoria tomou a melhor decisão ao reconhecer os avanços importantes contemplados nesta Medida Provisória e o canal de diálogo com o Governo Federal.

"Parabenizo todas as lideranças de caminhoneiros pela maturidade, responsabilidade e coerência neste momento, evitando uma paralisação em um cenário de turbulência global, com reflexos de guerra. Uma paralisação agora traria impactos para diversos setores e para a economia nacional", afirma Paulinho do Transporte.