O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) o programa Move Brasil 2, nova etapa da política de renovação da frota nacional de transporte rodoviário. A iniciativa amplia significativamente os recursos disponíveis, melhora as condições de financiamento e expande o alcance do programa para ônibus e implementos rodoviários.
O volume total de crédito saltou de cerca de R$ 10 bilhões na primeira fase para R$ 21,2 bilhões nesta nova rodada. Para caminhoneiros autônomos, os recursos dobraram, passando de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões.
Entre as principais mudanças estão a redução das taxas de juros, agora entre 11% e 12% ao ano, e a ampliação do prazo de financiamento, que passa de cinco para até dez anos. A carência também foi ampliada, chegando a 12 meses para os autônomos.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o novo pacote ficou “maior, melhor e mais abrangente”.
“Ampliamos recursos, reduzimos juros e aumentamos prazos, o que viabiliza a prestação e a compra”, afirmou durante o lançamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o impacto direto do programa sobre a indústria nacional e o emprego.
“Cada caminhão ou ônibus financiado é um pedido para a indústria brasileira. Estamos falando de produtos com 100% de conteúdo nacional, de emprego e renda no Brasil”, declarou.
Programa amplia impacto na cadeia logística
Diferentemente da primeira etapa, o Move Brasil 2 passa a contemplar não apenas caminhões, mas também ônibus e implementos rodoviários, ampliando o alcance sobre toda a cadeia de transporte e logística.
A expectativa do governo é estimular a renovação da frota nacional, aumentar a eficiência operacional e reduzir custos logísticos em diversos segmentos da economia.
Além dos impactos econômicos, o programa também busca ganhos ambientais e de segurança viária. Caminhões e ônibus mais modernos tendem a emitir menos poluentes e oferecer melhores condições de segurança nas estradas.
Política industrial ganha protagonismo
O lançamento reforça a estratégia do governo de utilizar a política industrial como ferramenta de estímulo econômico.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Igor Calvet, afirmou que o programa é resultado do diálogo entre governo e setor produtivo.
Segundo ele, a primeira fase do Move Brasil ajudou a reaquecer o mercado em um momento de desaceleração da indústria e contribuiu para preservar empregos nas montadoras.
“O caminhão é o meio pelo qual a economia funciona. É o alimento que chega à mesa, a produção que vai para exportação. Esse programa é para toda a economia”, afirmou.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários também destacou o impacto positivo esperado sobre a indústria de implementos, diretamente beneficiada pela renovação da frota.
Autônomos ganham mais espaço no programa
Um dos principais focos do Move Brasil 2 é ampliar o acesso ao crédito para caminhoneiros autônomos, evitando concentração dos recursos apenas em grandes transportadoras.
Além da ampliação do volume destinado à categoria, o programa prevê condições consideradas mais acessíveis, como carência de 12 meses e prazo de até 120 meses para pagamento.
O governo também destacou medidas complementares voltadas ao setor, incluindo ações relacionadas ao piso do frete, fiscalização eletrônica e redução de custos operacionais ligados ao diesel e aos sistemas de pedágio eletrônico.
Bancos públicos terão papel central
O programa contará com participação direta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável pela operação do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que receberá aporte de R$ 2 bilhões.
Segundo o Ministério da Fazenda, esse valor poderá alavancar cerca de R$ 16 bilhões em financiamentos.
Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal também participarão da operacionalização do programa, ampliando a distribuição do crédito em todo o país.
Renovação da frota pode modernizar logística brasileira
O Move Brasil 2 surge em um momento em que o setor de transporte rodoviário enfrenta desafios ligados ao envelhecimento da frota, custos operacionais elevados e necessidade de maior eficiência logística.
A expectativa do governo e da indústria é que o programa estimule investimentos, fortaleça a produção nacional e contribua para uma modernização gradual do transporte rodoviário brasileiro.