O Senado Federal aprovou duas operações de crédito internacional que somam US$ 123,5 milhões (cerca de R$ 630 milhões) para investimentos em infraestrutura e transição energética no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), no Ceará. Os recursos serão destinados ao fortalecimento da cadeia produtiva do hidrogênio verde e à ampliação da estrutura logística do complexo.
As operações foram autorizadas entre a Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), instituição vinculada ao Banco Mundial, com garantia da União.
Do total aprovado, US$ 90 milhões serão destinados ao financiamento parcial do Programa de Transição Energética do Pecém, enquanto outros US$ 33,5 milhões irão complementar as ações do programa Pecém Verde, iniciativa voltada à descarbonização e ao desenvolvimento sustentável.
Os investimentos serão aplicados em obras de infraestrutura dentro do complexo industrial e portuário, incluindo a implantação de corredores de serviços para transporte de água, energia e amônia verde entre a Zona de Processamento de Exportação (ZPE Ceará) e o porto. O projeto também prevê a expansão do Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT), com a construção de um novo berço de atracação, além da modernização e ampliação do Berço 2 para operações e exportação de amônia verde.
Planejamento
Segundo o planejamento, os recursos permitirão ampliar a infraestrutura estratégica necessária à cadeia de suprimento do hidrogênio verde no estado, reforçando o papel do Complexo do Pecém na agenda global de transição energética e descarbonização.
Além do financiamento do Bird, parte dos recursos virá do Fundo de Investimento Climático (FIC). Os empréstimos terão prazo de até 360 meses, com carência de até 102 meses, contados a partir da aprovação dos contratos pelo banco internacional. A liberação dos recursos ocorrerá gradualmente, com previsão do último aporte em 2030.
Para a concessão da garantia da União, o estado do Ceará deverá comprovar ao Ministério da Fazenda a regularidade no pagamento de precatórios, além de cumprir outras exigências previstas para esse tipo de operação de crédito.
Com os investimentos, o Complexo do Pecém pretende ampliar sua capacidade logística e industrial, criando condições para atrair novos empreendimentos voltados à produção de hidrogênio verde e seus derivados, além de fortalecer a integração entre porto, indústria e zona franca de exportação.
O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, comemorou a aprovação dos recursos e destacou a importância estratégica do investimento.
“A aprovação deste financiamento representa um marco para o futuro do Complexo Pecém e do Ceará. Esses recursos permitem uma infraestrutura moderna e integrada, fundamental para o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio verde e para a consolidação de Pecém como um centro internacional de energia limpa e logística sustentável”, afirmou.