A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a abertura de Audiência Pública para a nova concessão do sistema ferroviário Malha Sul, que conecta São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. O projeto conta com três corredores que, somados, contabilizam 4.248,45 quilômetros de malha ferroviária e possui investimentos previstos de R$ 4,8 bilhões.
Desde a desestatização da antiga R.F.F.S.A., Rede Ferroviária Federal S.A., o contrato vigente, que tem seu final decretado para 2027, é operado pela Rumo Malha Sul S.A. A aprovação da abertura de Audiência Pública abre etapa de participação social que antecede a publicação do edital e o futuro leilão dos três corredores ferroviários.
Participação
Com a decisão, a sociedade, agentes econômicos e demais interessados podem contribuir com sugestões e contribuições às versões preliminares do edital e do contrato de concessão. O prazo para envio de contribuições é de 15 de junho a 10 de agosto de 2026.
As sessões presenciais ocorrerão em Brasília (DF), em 16 de julho, na modalidade híbrida (presencial e virtual), com transmissão ao vivo pelo canal da ANTT no YouTube; Curitiba (PR), em 27 de julho; Porto Alegre (RS), em 29 de julho; e Florianópolis (SC), em 31 de julho.
"A infraestrutura precisa funcionar na prática e gerar resultado percebido pelo usuário. A Audiência Pública é o momento em que a sociedade contribui para que esse projeto chegue ao leilão com o melhor desenho possível", afirmou o Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.
Corredores
A rede ferroviária conta com os corredores: Paraná-Santa Catarina, o Corredor Rio Grande e o Corredor Mercosul. Cada corredor tem perfil, extensão e funções diferentes dentro do sistema.
O Corredor Paraná-Santa Catarina possui 1.502,26 km e concentra 78% da carga da Malha Sul, possuindo uma forte vocação exportadora de grãos, açúcar, celulose e fertilizantes. Ele conecta Maringá e Ourinhos a Apucarana, seguindo até os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. Passa ainda por Guarapuava, Rio Branco do Sul e Curitiba, e é considerado o eixo estruturante do empreendimento.
O Corredor Rio Grande, com 880,3 km, conecta Cruz Alta a Cacequi, com ramal até Santiago, e segue até o Porto de Rio Grande. Responde por 16,6% da movimentação da Malha Sul, com predominância de grãos, fertilizantes e combustíveis.
Já o Corredor Mercosul realiza a ligação interestadual de Iperó, em São Paulo, até Ponta Grossa por 1.865,78 km. O corredor se inicia novamente em Mafra, passando por Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Maria, Cacequi até Uruguaiana na fronteira com a Argentina.
Investimentos
Os três corredores serão licitados juntos, em um único certame com três lotes. O modelo aprovado prevê que o Corredor Paraná-Santa Catarina, que é o mais robusto financeiramente, irá transferir recursos aos demais por meio de investimentos cruzados: R$ 1,47 bilhão ao Corredor Rio Grande e R$ 3,46 bilhões ao Corredor Mercosul. Esse arranjo garante a viabilidade do conjunto sem depender de aportes diretos do Tesouro Nacional como fonte primária.
O investimento total previsto ao longo dos 30 anos de concessão é de R$ 14,4 bilhões em CAPEX e R$ 38,6 bilhões em OPEX.