O Porto de Santos deverá sediar, na próxima semana, uma operação considerada histórica para a navegação brasileira.
Pela primeira vez, um navio da armadora francesa CMA CGM será abastecido com etanol em uma operação de bunkering na costa brasileira, iniciativa que marca um novo passo rumo à transição energética do transporte marítimo.
O projeto é resultado de uma parceria entre a CMA CGM e a Copersucar, uma das maiores comercializadoras de açúcar e etanol do mundo.
A operação busca demonstrar a viabilidade logística e operacional do etanol como combustível de baixo carbono para embarcações comerciais, reforçando o protagonismo do Brasil na produção de biocombustíveis.
A expectativa é que o abastecimento funcione como uma prova de conceito para futuras operações em escala comercial.
Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o uso do etanol aproveita uma cadeia produtiva já consolidada no país, tornando-se uma alternativa competitiva para atender às metas globais de descarbonização da navegação.
Antes da realização do abastecimento, a Copersucar precisou obter autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para conduzir a operação experimental.
O projeto envolve ainda empresas especializadas em abastecimento marítimo e logística portuária, utilizando uma barcaça adaptada para transportar o etanol até a embarcação atracada no terminal de contêineres do Porto de Santos.
A iniciativa ocorre em um momento em que a indústria marítima mundial acelera a busca por combustíveis alternativos para atender às exigências ambientais estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).
Enquanto metanol, amônia, hidrogênio e GNL vêm sendo desenvolvidos em diversos mercados, o etanol surge como uma opção especialmente atrativa para o Brasil devido à ampla disponibilidade da matéria-prima, à infraestrutura existente e ao menor impacto ambiental.
Especialistas do setor avaliam que o país reúne condições únicas para se tornar um importante fornecedor internacional de combustíveis renováveis para a navegação, aproveitando sua liderança na produção de etanol de cana-de-açúcar e sua estrutura logística voltada às exportações.
De acordo com especialistas, a operação integra a estratégia global da companhia voltada à redução das emissões de carbono e à adoção de soluções energéticas mais sustentáveis em sua frota.
A empresa vem investindo em diferentes tecnologias e combustíveis alternativos para acelerar o processo de descarbonização do transporte marítimo.
Caso os resultados confirmem a eficiência operacional e ambiental do projeto, o abastecimento realizado em Santos poderá servir como modelo para novas operações em outros portos brasileiros, fortalecendo a posição do país como referência internacional na utilização de biocombustíveis para a navegação comercial.