Após dois dias de manifestações que impactaram o fluxo de cargas no Porto de Santos, caminhoneiros autônomos decidiram suspender a greve na noite desta terça-feira (14). A decisão foi tomada depois que o Senado Federal aprovou a Medida Provisória que atualiza as regras do transporte rodoviário de cargas e reforça os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete.
A votação era aguardada com expectativa pela categoria, que defendia a aprovação da proposta como uma das principais reivindicações do movimento. Com a conclusão da análise pelo Congresso Nacional, o texto segue para sanção presidencial.
A paralisação provocou reflexos importantes na logística do maior porto da América Latina. Durante a mobilização, houve bloqueios parciais em vias estratégicas de acesso ao complexo portuário, provocando lentidão no transporte de cargas e exigindo operações especiais para minimizar os impactos na circulação de caminhões.
Em alguns momentos, o cenário foi marcado por tensão entre manifestantes e forças de segurança. A Polícia Militar atuou para liberar trechos considerados críticos, e confrontos registrados durante a operação resultaram no uso de equipamentos de controle de distúrbios, além do registro de feridos e detenções.
Entre as medidas previstas na nova legislação estão o fortalecimento da fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, a atualização dos critérios de cálculo dos valores pagos pelo transporte e mecanismos que permitem a revisão das tabelas sempre que houver oscilações significativas no preço do diesel.
O texto também amplia instrumentos de controle das operações de transporte, estabelece penalidades mais severas para empresas que desrespeitarem a legislação e prevê ações voltadas à modernização da frota e à melhoria da infraestrutura destinada aos motoristas profissionais.
Segundo representantes da categoria, a aprovação da medida representa um avanço na busca por maior previsibilidade econômica para os transportadores autônomos, especialmente diante das frequentes variações dos custos operacionais.
Com o encerramento da mobilização, a expectativa do setor portuário é de normalização gradual do fluxo de veículos nos acessos ao Porto de Santos. Operadores logísticos e terminais acompanham a retomada das atividades para reduzir o acúmulo de cargas registrado durante a paralisação.
Embora os impactos tenham sido concentrados em alguns corredores logísticos, o movimento evidenciou mais uma vez a forte dependência da cadeia portuária brasileira do transporte rodoviário, responsável pela movimentação de grande parte das cargas destinadas aos terminais santistas.
A retomada das operações deve ocorrer de forma progressiva ao longo das próximas horas, com prioridade para o escoamento das cargas que permaneceram retidas durante o período de protestos.
Matéria produzida pela Redação do Jornal Portuário, com base em informações públicas e apuração jornalística própria.