O mercado mundial de transporte marítimo de petróleo vive um dos momentos mais aquecidos das últimas décadas. Levantamento da consultoria Maritime Strategies International (MSI) revela que a contratação de VLCCs (Very Large Crude Carriers) atingiu níveis históricos no primeiro semestre de 2026, impulsionada pela expectativa de demanda futura e pela forte atuação dos estaleiros chineses.
Entre janeiro e junho deste ano, foram encomendados 177 superpetroleiros, totalizando 54,5 milhões de toneladas de porte bruto (DWT). O volume já supera com ampla margem o antigo recorde anual, registrado em 2006, quando as encomendas alcançaram 32,6 milhões de DWT.
Atualmente, a carteira de pedidos representa cerca de 35% da frota mundial de VLCCs, evidenciando a confiança dos armadores na renovação e ampliação da capacidade global de transporte de petróleo.
O crescimento não se restringe aos VLCCs. Considerando todas as categorias de navios-tanque, as encomendas acumuladas no primeiro semestre já se aproximam de 80 milhões de toneladas de porte bruto, volume que ultrapassou toda a previsão anual elaborada anteriormente pela MSI.
Para a consultoria, o desempenho surpreendente demonstra uma forte retomada dos investimentos no segmento, após anos de maior cautela por parte dos armadores.
Apesar do cenário positivo para a construção naval, a MSI alerta para possíveis impactos futuros no equilíbrio do mercado.
Segundo o levantamento, 83% dos navios atualmente contratados deverão ser entregues entre 2028 e 2029, período em que poderá ocorrer um aumento significativo da oferta de embarcações.
Caso o crescimento da demanda pelo transporte marítimo de petróleo não acompanhe esse ritmo, existe o risco de pressão sobre os fretes e redução da rentabilidade do setor.
A distribuição das encomendas mostra um mercado relativamente equilibrado entre diferentes regiões.
Os armadores ocidentais responderam por aproximadamente 50% dos pedidos de VLCCs, enquanto os armadores gregos e os compradores asiáticos concentraram cerca de 25% cada.
O cenário reforça que a renovação da frota é uma estratégia compartilhada pelos principais operadores globais do transporte de petróleo.
Se entre os compradores há maior diversidade, entre os construtores a liderança é praticamente absoluta.
A pesquisa da MSI aponta que 89% dos contratos assinados no primeiro semestre de 2026 foram destinados a estaleiros chineses, consolidando a posição da China como principal polo mundial da construção de superpetroleiros.
Entre os estaleiros que mais receberam encomendas estão:
A concentração evidencia o avanço tecnológico, a elevada capacidade produtiva e a competitividade dos estaleiros chineses, que vêm ampliando sua participação nos principais segmentos da indústria naval mundial.
Para o analista Jialin Xu, da Maritime Strategies International, 2026 tem se mostrado um ano "surpreendente" para o mercado de navios-tanque. O especialista destaca que o forte crescimento das encomendas de VLCCs sinaliza confiança dos armadores no comércio global de petróleo, ao mesmo tempo em que reforça a predominância da indústria naval chinesa na captação de novos contratos.
Embora o volume recorde de pedidos indique otimismo para a construção naval, o comportamento da demanda global por petróleo e da economia internacional nos próximos anos será determinante para definir o equilíbrio do mercado quando essas embarcações começarem a ser entregues, especialmente entre 2028 e 2029.