A MSC e a Maersk notificaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) comprometendo-se a encerrar a sociedade que mantêm na Brasil Terminal Portuário (BTP), caso uma das duas empresas seja vencedora do leilão do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos e considerado o maior projeto portuário do país.
Atualmente, a BTP é controlada em partes iguais pela APM Terminals, subsidiária da Maersk, e pela Terminal Investment Limited (TiL), empresa ligada à MSC em parceria com a gestora Global Infrastructure Partners (GIP), controlada pela BlackRock.
A notificação ao Cade busca atender uma das principais exigências previstas para a disputa do Tecon Santos 10. Pelo modelo em discussão, operadores que já possuem terminais de contêineres em Santos somente poderão participar da fase inicial da licitação se apresentarem, antes da publicação do edital, um compromisso irrevogável de alienar sua participação em um terminal existente no porto.
O Tecon Santos 10 foi projetado para movimentar até 3 milhões de TEUs por ano, capacidade equivalente ao dobro da atualmente operada pela BTP. A concessão terá prazo de 25 anos, com previsão de aproximadamente R$ 6,4 bilhões em investimentos, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
Além da MSC e da Maersk, o projeto também desperta interesse de outros grandes grupos internacionais e nacionais, entre eles a chinesa Cosco e a JBS Terminais, braço portuário do grupo J&F.
Localizada na região da Alemoa, na margem direita do Porto de Santos, a BTP opera um terminal multiuso voltado à movimentação de contêineres e granéis líquidos.
Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 2,1 bilhões e respondeu por 31% de toda a movimentação de contêineres do Porto de Santos, ficando atrás apenas da Santos Brasil.
MSC e Maersk são as duas maiores armadoras do mundo e, juntas, representam cerca de um terço da capacidade global de transporte marítimo de contêineres.
Nos últimos anos, ambas intensificaram investimentos em terminais portuários como parte de uma estratégia de verticalização dos negócios. Ao controlar também a infraestrutura onde seus navios atracam, as companhias ampliam o controle sobre custos operacionais, disponibilidade de berços e eficiência logística.
Após a divulgação da notificação ao Cade, a Maersk esclareceu que ainda não está definido qual será sua posição na eventual operação.
Segundo a empresa, caso uma das partes conquiste o Tecon Santos 10, a APM Terminals poderá tanto adquirir os 50% restantes da BTP quanto vender sua própria participação. A definição dependerá exclusivamente do resultado do leilão.
A decisão sobre o modelo definitivo de participação dos operadores no Tecon Santos 10 continua sendo um dos principais pontos de discussão entre o governo federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e os agentes do setor portuário, diante dos impactos concorrenciais que o novo terminal poderá gerar no Porto de Santos.