Ação coordenada entre setores público e privado e sociedade civil pode impulsionar economia verde no Brasil, conclui estudo da Deloitte Brasil e AYA Earth Partners
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- Dois terços dos 27 executivos C-Level respondentes da pesquisa reconhecem a economia verde como principal oportunidade estratégica para seus setores;
- Brasil avança em políticas públicas para a economia verde, mas fragmentação institucional e limitação da articulação intersetorial ainda são desafios;
- País vive um "paradoxo verde", com abundância de ativos naturais únicos, mas capacidade de entrega ainda abaixo do seu potencial;
- COP 30 pode ser ponto de virada para fortalecer parcerias internacionais e atrair investimentos
Desenvolvido pela Deloitte Brasil, com apoio institucional da AYA Earth Partners, o relatório verifica o estágio de desenvolvimento das iniciativas para concretizar essa transformação no País, trazendo um panorama, na visão de altos executivos brasileiros, sobre as principais políticas públicas, investimentos em tecnologias sustentáveis e parcerias internacionais – fundamentais para impulsionar o Brasil rumo a um futuro verde.
O levantamento foi produzido com base em pesquisa quantitativa com 27 executivos C-Level de empresas nacionais e multinacionais atuantes no Brasil e 16 entrevistas em profundidade com líderes de setores estratégicos como serviços financeiros, indústria, tecnologia, agronegócio, varejo e consumo, energia e utilities, infraestrutura e saúde. A análise das informações coletadas revela o otimismo desses líderes em relação ao potencial do país, mas revela também que ainda há um descompasso entre intenção e execução das iniciativas.
O Brasil possui ativos ambientais e energéticos únicos, como sua vasta biodiversidade, uma matriz elétrica majoritariamente renovável e solo fértil, que o posiciona de forma singular para liderar a economia verde global, mas ainda há muito espaço para avançar nessa frente. Dos 27 executivos C-Level ouvidos pela pesquisa, quase todos – 26 – acreditam que o País ainda precisa se preparar para enfrentar os desafios climáticos. Além disso, em geral, há uma visão de que ainda falta uma estratégia nacional de longo prazo mais coesa, com mais incentivos e maior coordenação para execução.
Essa dissonância é um dos pontos centrais do que o estudo denomina "paradoxo verde brasileiro": o contraste entre ativos únicos e uma capacidade de entrega ainda abaixo do potencial. "Nossos ativos naturais são uma vantagem competitiva evidente e o Brasil tem uma janela de protagonismo real, mas temos um desafio sistêmico e que demanda uma estratégia nacional coesa, com uma coordenação efetiva entre os setores público e privado para transformar esse potencial em prosperidade sustentável", destaca Maria Emília Peres, sócia de estratégia de sustentabilidade da Deloitte Brasil.
"Com ativos naturais únicos, como nossa biodiversidade, matriz elétrica renovável e força agroindustrial, o Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar a economia verde global. Transformar esse potencial em resultados concretos exige colaboração entre empresas, governo e sociedade civil, com metas claras, investimentos consistentes e execução efetiva. Este é o momento de mostrar que estamos prontos para liderar um futuro sustentável, competitivo e de prosperidade compartilhada." Destaca Edson Higo, CEO da AYA Earth Partners.
Investimentos em tecnologia
A pesquisa detecta que dois terços (67%) dos líderes reconhecem que a economia verde representa a principal oportunidade estratégica para seus setores nos próximos anos. Os investimentos atuais das empresas, porém, ainda são considerados insuficientes, com apenas um quarto (26%) avaliando-os como muito ou extremamente adequados ao desafio climático.
A crescente demanda global por produtos e serviços sustentáveis abre portas para que as empresas brasileiras se destaquem em um mercado internacional cada vez mais atento às questões ambientais. “Ao adotar práticas de economia circular e sustentabilidade em suas operações, as empresas ganham vantagens, como redução de custos, otimização de recursos, acesso a novos mercados e maior resiliência frente a crises ambientais, tornando-se mais competitivas”, afirma a sócia de estratégia de sustentabilidade da Deloitte Brasil.
O setor privado desempenha um papel fundamental no avanço da economia verde no Brasil, principalmente por meio da inovação e investimento em tecnologias verdes para o aproveitamento de recursos naturais e biodiversidade. Conforme aponta o estudo, a colaboração e sinergia entre empresas do setor privado podem impulsionar a sustentabilidade em toda a cadeia de produção, possibilitando um impacto sistêmico. Essa atuação pode acontecer, por exemplo, na troca de subprodutos ou no desenvolvimento de tecnologias, gerando valor compartilhado, novos modelos de negócios circulares e mais resiliência da cadeia de suprimentos.
Na pesquisa quantitativa, o alto custo de novas tecnologias foi citado por 41% dos respondentes como uma das principais barreiras para a transição energética. Algumas das tecnologias já utilizadas incluem eletrificação de frotas, caldeiras elétricas, logística verde com biometano e pilotos de hidrogênio.
CCUS (Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono) e créditos de carbono foram citados, cada um, por cerca de 20% dos respondentes, o que mostra que as tecnologias ainda estão em estágio experimental ou dependerem de políticas públicas para se tornarem viáveis em larga escala, bem como ao alto custo e complexidade técnica das soluções de captura e armazenamento e à incerteza quanto à demanda e precificação futura.
O estudo identificou empresas que já implementaram soluções com sucesso, comprovando a viabilidade técnica e econômica das tecnologias emergentes. Contudo, esses casos são pontuais e com alcance limitado. “A transição para uma economia verde exige uma articulação desde produtores e consumidores até formuladores de políticas e instituições financeiras, com o estabelecimento de diretrizes claras, incentivos adequados e metas de longo prazo. Assim é possível viabilizar um ambiente propício à inovação, permitindo o surgimento de soluções tecnológicas e modelos de negócios sustentáveis, bem como sua difusão e replicação em larga escala”, explica Maria Emília Peres.
Políticas públicas
O estudo revela que há reconhecimento por parte dos executivos de avanços recentes nas políticas públicas implementadas no país, como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica (PTE – Novo Brasil), que buscam traçar estratégias de longo prazo. Além disso, foram sancionados marcos legais importantes, como a Lei do Combustível do Futuro, o Marco do Hidrogênio de Baixa Emissão e o Marco de Eólicas Offshore.
Contudo, a percepção geral é de que a maioria das iniciativas ainda é recente, o que as torna pouco articuladas ou limitadas em escala. Para 45% dos entrevistados, o ambiente regulatório brasileiro no fomento a iniciativas verdes é visto como desfavorável ou muito desfavorável. As entrevistas em profundidade revelam que a percepção dos executivos é de que falta previsibilidade e integração entre instrumentos e instituições, o que pode reduzir a disposição para investimentos de longo prazo.
O levantamento aponta que a fragmentação institucional e a limitação da articulação intersetorial são desafios para o avanço sistêmico da agenda verde. Para os entrevistados, deve haver a coordenação dos atores sociais, como governo, setor financeiro, indústria, academia e sociedade civil, sendo que 63% consideram parcerias público-privadas essenciais.
Parcerias internacionais
As entrevistas em profundidade detectam a visão de que as parcerias com organismos internacionais são essenciais para que o país avance. Nesse sentido, a realização da COP30, conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima, é percebida pelos executivos como uma janela de oportunidade histórica para o Brasil exercer protagonismo global na agenda climática, ao sediar o principal fórum internacional de negociações ambientais na Amazônia, em novembro de 2025.
Na pesquisa quantitativa, 73% dos entrevistados esperam que o evento atraia investimentos internacionais e 62% acreditam que ele possa posicionar o Brasil como liderança global em economia verde.
“A visibilidade gerada pelo evento pode ampliar a capacidade de atrair investimentos verdes, mobilizar financiamentos climáticos e fortalecer parcerias internacionais voltadas à transição energética. Para que esse potencial se concretize de forma efetiva e duradoura, também é necessário que haja uma ação coordenada entre governos em diferentes níveis, setor privado, sociedade civil e comunidades locais. A convergência de esforços e a construção de uma agenda comum permitem apresentar ao mundo projetos consistentes, com escala e impacto, fortalecendo a credibilidade do país e criando um ambiente para a transformação estrutural necessária para uma economia sustentável”, conclui Maria Emília Peres.
Metodologia
“Jornada de Impacto: Como o Brasil pode liderar a Economia Verde” foi produzido com base em pesquisa quantitativa com 27 executivos C-Level de empresas nacionais e multinacionais atuantes no Brasil e 16 entrevistas em profundidade com líderes de setores estratégicos como serviços financeiros, indústria, tecnologia, agronegócio, varejo e consumo, energia e utilities, infraestrutura e saúde. O estudo também tem como referência comparativa o “CxO Sustainability Report 2024”, relatório da Deloitte Global que ouviu mais de 2.100 C-levels em 27 países, e utiliza o panorama macroeconômico fornecido pelo “The Turning Point – A Global Summary (2022)”, também da Deloitte Global, em sua leitura para América do Sul. Os estudos globais quantificam o custo da inação e os dividendos econômicos de uma transição coordenada para net zero, oferecendo contexto para as percepções captadas no Brasil.
Sobre a Deloitte
A Deloitte é a organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado, com mais de 470 mil profissionais em todo o mundo, gerando impactos que realmente importam em mais de 150 países e territórios. Com base nos seus 180 anos de história, oferecemos serviços de auditoria, asseguração, consultoria, impostos e serviços relacionados para quase 90% das empresas da lista da Fortune Global 500® e milhares de outras organizações. Nossas pessoas proporcionam resultados mensuráveis e duradouros para ajudar a reforçar a confiança pública nos mercados de capitais e permitir aos clientes transformar e prosperar, e lideram o caminho para uma economia mais forte, uma sociedade mais equitativa e um mundo sustentável. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é líder de mercado, com mais de 7.000 profissionais e operações em todo o território nacional, a partir de 18 escritórios. Para mais informações, acesse: www.deloitte.com.br.
A Deloitte refere-se a uma ou mais empresas da Deloitte Touche Tohmatsu Limited (“DTTL”), sua rede global de firmas-membro e suas entidades relacionadas (coletivamente, a “organização Deloitte”). A DTTL (também chamada de “Deloitte Global”) e cada uma de suas firmas-membro e entidades relacionadas são legalmente separadas e independentes, que não podem se obrigar ou se vincular mutuamente em relação a terceiros. A DTTL, cada firma-membro da DTTL e cada entidade relacionada são responsáveis apenas por seus próprios atos e omissões, e não entre si. A DTTL não fornece serviços para clientes. Por favor, consulte www.deloitte.com/about para saber mais.
Sobre a AYA Earth Partners
A AYA Earth Partners é o primeiro e maior ecossistema dedicado a acelerar a economia regenerativa e de baixo carbono do Brasil, conectando empresas de todos os portes e segmentos, organizações do terceiro setor e especialistas de diversas áreas para compartilhar conteúdos e serviços e impulsionar a transição do país para uma economia de baixo carbono. Liderada por Patricia Ellen, ex-secretária do Governo do Estado de São Paulo, com foco no desenvolvimento e na implementação de soluções integradas e inovadoras para as empresas e com o objetivo de acelerar a capacidade de CEOs e outras lideranças empresariais de enfrentar os enormes desafios das mudanças climáticas, transformando custos em investimentos e retornos para as organizações.
Com atividades focadas em cinco importantes transições: alimentos e uso dos solos, estrutura financeira verde, economia circular e materiais, energia limpa e renovável e regeneração de florestas e bioeconomia, a AYA pretende contribuir para transformar o Brasil no líder mundial de uma nova economia e a primeira grande nação carbono neutro até 2030 e carbono negativo até 2050. A AYA conta com mais de 140 parceiros comprometidos com a jornada de baixo carbono, incluindo iFood, Deloitte Brasil, Ambev, BV, Accenture, Preta Terra, FAS (Fundação Amazônia Sustentável), Mattos Filho, Pacto Global e SOS Mata Atlântica. A expectativa é que mais de 1000 profissionais desse ecossistema circulem pelo AYA Hub semanalmente, promovendo encontros e trocas orgânicas de experiências e informações. A AYA tem participado ativamente de eventos como o Glocal Amazônia, Diálogos da Amazônia, Climate Week NYC, COP 28 e o primeiro Fórum Brasileiro de Finanças Sustentáveis, que integra a programação do G20 no Brasil, entre outros. Saiba mais aqui.
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