O Encontro Nacional Indústria Porto (ENIP) nasceu de uma percepção aparentemente simples, mas estratégica: indústria e logística precisam estar cada vez mais próximas para que o Brasil consiga transformar produção em competitividade.

Em entrevista concedida ao Jornal Portuário, o idealizador do ENIP, André Ursini, relembra a trajetória que levou à criação do encontro e explica como a iniciativa evoluiu até se tornar um ambiente de conexão entre empresas, especialistas, lideranças e tomadores de decisão.

Mais do que realizar um evento, a proposta nasceu com a intenção de criar pontes. De um lado, a indústria, responsável pela produção e por parcela importante dos investimentos e empregos do país. Do outro, toda uma estrutura logística formada por portos, rodovias, ferrovias, terminais e demais elos responsáveis por fazer essa produção chegar aos mercados nacional e internacional.

“O ENIP não nasceu apenas como um evento. Nasceu de uma visão: aproximar dois setores essenciais para o desenvolvimento do Brasil, a indústria e a logística nacional.”, destaca André Ursini.

 

Ao observar o crescimento de iniciativas que também passaram a aproximar indústria, portos e logística, André ressalta que esse movimento reforça a importância do caminho iniciado pelo ENIP:

“É muito positivo perceber que o Encontro Nacional Indústria Porto vem abrindo caminhos e, de alguma forma, inspirando outras iniciativas. Isso mostra que estamos no caminho certo.

Boas ideias não devem ficar restritas a quem as criou; quando são compartilhadas, provocam novos movimentos, ampliam o debate e fortalecem todo o setor. No fim, quando uma ideia inspira outros a seguirem caminhos semelhantes, é porque ela já começou a cumprir o seu propósito”, destaca André Ursini.

Da ideia ao encontro

Jornal Portuário — Como surgiu a ideia de criar o Encontro Nacional Indústria Porto?

André Ursini — O ENIP surgiu justamente da percepção de que precisávamos aproximar esses dois universos. A indústria depende diretamente de uma logística eficiente, enquanto portos e demais estruturas logísticas precisam compreender as demandas e transformações da indústria. A ideia foi criar um ambiente no qual esses setores pudessem conversar, trocar experiências e, principalmente, identificar oportunidades.

Jornal Portuário — Então, desde o início, a proposta ia além da realização de um evento?

André Ursini — Sim. O encontro é uma ferramenta para algo maior. O objetivo sempre foi criar conexões. Queremos colocar no mesmo ambiente quem produz, quem movimenta, quem investe, quem planeja e quem toma decisões. Quando conseguimos aproximar essas pessoas, o diálogo deixa de ser apenas institucional e pode se transformar em projetos, investimentos e oportunidades.

Uma agenda que foi crescendo

Ao longo de sua trajetória, o ENIP ampliou sua abrangência. Temas relacionados à infraestrutura, comércio exterior, investimentos, inovação e desenvolvimento econômico passaram a integrar uma agenda cada vez mais conectada às transformações da economia brasileira.

Essa evolução também ajudou a consolidar o encontro como um espaço para discutir gargalos que vão muito além dos limites físicos dos portos.

Jornal Portuário — Como você avalia a evolução do ENIP desde a sua criação?

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André Ursini — O ENIP foi se desenvolvendo junto com as próprias discussões do setor. Começamos com essa conexão entre indústria e porto e percebemos que existia uma cadeia muito maior envolvida. Hoje falamos de logística, infraestrutura, investimentos, tecnologia, competitividade e desenvolvimento. Isso trouxe novos participantes e tornou o debate ainda mais amplo.

Jornal Portuário — E qual é a importância de reunir lideranças, empresas e tomadores de decisão presencialmente?

André Ursini — Essa aproximação é fundamental. Muitas oportunidades surgem justamente quando conseguimos colocar diferentes atores frente a frente. Às vezes, uma empresa tem uma necessidade e, naquele mesmo ambiente, existe outra organização capaz de apresentar uma solução. O ENIP procura proporcionar esse encontro.

Indústria e porto precisam falar a mesma língua

A integração entre produção industrial e infraestrutura logística ganhou ainda mais importância diante da necessidade de ampliar a competitividade brasileira.

Não basta aumentar a capacidade de produção se a infraestrutura responsável pelo escoamento não acompanhar esse crescimento. Da mesma maneira, investimentos em terminais, ferrovias, rodovias e portos precisam considerar onde estão  e onde estarão, as novas demandas da indústria.

É justamente nesse ponto que a proposta do ENIP encontra seu principal eixo: conectar planejamento industrial e planejamento logístico.

Jornal Portuário — Por que essa conexão se tornou tão estratégica para o Brasil?

André Ursini — Porque não podemos pensar indústria e logística separadamente. Quando uma indústria decide investir ou ampliar sua produção, existe toda uma cadeia logística envolvida. Precisamos discutir capacidade, acessos, custos, infraestrutura e eficiência. Quanto maior for essa integração, maiores serão as condições para o Brasil competir.

Conexões que precisam gerar oportunidades

Para Ursini, entretanto, o sucesso do encontro não deve ser medido apenas pelo número de participantes ou pela quantidade de painéis realizados.

A proposta é fazer com que as discussões ultrapassem os auditórios.

Jornal Portuário — O que você espera que as pessoas levem do ENIP depois de cada edição?

André Ursini — Que as conexões continuem. Queremos que uma conversa iniciada durante o encontro possa resultar posteriormente em uma parceria, um projeto, um investimento ou uma solução. É isso que buscamos quando falamos em transformar conexões em oportunidades e diálogo em desenvolvimento.

Conectando indústria, logística e futuro

A história do ENIP mostra como uma ideia pode ganhar novas dimensões quando encontra uma demanda real do mercado.

Ao aproximar representantes da indústria, operadores logísticos, empresas, autoridades, especialistas e investidores, o encontro procura criar um ambiente no qual diferentes visões sobre infraestrutura e desenvolvimento possam convergir.

Para André Ursini, essa trajetória ainda está sendo construída.

Jornal Portuário — Quando você olha para o futuro, onde pretende levar o ENIP?

André Ursini — Queremos continuar ampliando essa conexão. O Brasil possui uma indústria forte, uma enorme vocação para o comércio exterior e um sistema logístico que está passando por grandes transformações. Existe muito espaço para aproximar esses setores e criar novas oportunidades. O futuro do ENIP está justamente em continuar sendo essa ponte.

No fim, a ideia que deu origem ao encontro permanece como seu principal propósito: fazer indústria e logística olharem para o futuro na mesma direção.

E, em um país de dimensões continentais, no qual a competitividade depende cada vez mais da capacidade de integrar produção, infraestrutura e mercados, essa conexão deixou de ser apenas desejável.

Tornou-se estratégica.

Entrevista: Jornal Portuário
Entrevistado: André Ursini — idealizador do Encontro Nacional Indústria Porto (ENIP)
Conteúdo baseado no documentário institucional sobre a trajetória do ENIP.