O mês de março contará com uma série de 14 leilões na B3 (Brasil, Bolsa e Balcão: a bolsa de valores oficial do Brasil) que devem impulsionar a infraestrutura nacional, medindo o interesse do mercado por grandes projetos e podendo liberar R$ 41 bilhões em investimentos privados voltados a rodovias, saneamento básico, aeroportos e ao setor social.
O leilão que definiu a gestão do sistema de transporte público de Campinas aconteceu na última quinta-feira (5). A licitação previa a divisão da operação em dois lotes: Norte e Sul. A empresa Sancetur (Santa Cecília Turismo) venceu o Lote Sul, que compreende as regiões Leste, Sul e Sudoeste, com bairros como Centro, Parque Oziel e Ouro Verde. Ela apresentou uma oferta de tarifa de remuneração de R$ 9,54, o que representa um deságio (diferença entre o valor proposto em edital e o lance vencedor) de 14,90% em relação ao valor máximo previsto em edital, de R$11,21.
Já o consórcio Grande Campinas venceu o Lote Norte, que atende as regiões Norte, Oeste e Noroeste, com bairros como Barão Geraldo e Campo Grande. O grupo fez uma oferta de tarifa de remuneração de R$ 9,49, um deságio de 19,30% em relação ao máximo estabelecido pelo edital, que era de R$ 11,76.
Após décadas com os mesmos operadores, a empresa Sancetur e o consórcio Grande Campinas administrarão o transporte público coletivo de Campinas pelos próximos 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 5. Porém, a troca de gestão não é imediata. É necessário que haja uma série de procedimentos legais a serem cumpridos até o início da operação.
Além de Campinas, outro leilão muito esperado é o leilão do Galeão. Em 2013, o aeroporto foi arrematado pelo consórcio entre Odebrecht e Changi, e havia uma grande expectativa para que houvesse um crescimento acelerado no setor aéreo. O lance vitorioso naquele leilão foi de R$ 19 bilhões, valor que acabou se tornando impagável em um contexto de recessão econômica e de pandemia.
O Aeroporto Internacional do Galeão é uma das principais portas de entrada de estrangeiros no Brasil e figura entre as rotas domésticas mais movimentadas do país. O vencedor do leilão assumirá a administração do ativo sob novas condições, entre elas, o encerramento da sociedade com a Infraero, que atualmente detém 49% de participação acionária.
Entre os outros leilões previstos para março estão: a PPP de esgotamento sanitário em Goiás, marcada para 25 de março; a concessão do Bloco 2 de rodovias, que engloba a ERS-128, a ERS-129, a ERS-130, a ERS-324, a RSC-453 e a ERS-135, realizada pelo governo do Rio Grande do Sul no dia 13; o leilão das rodovias BR-251 e BR-116, realizado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) no dia 31, entre outros.

