
A manifestação vai reunir integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, e ocorrerá de forma paralela às atividades e reuniões da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A expectativa da organização da Cúpula dos Povos é que o ato conte com participação de representantes de organizações de todos os continentes, além de uma forte representação das comunidades paraenses.
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Após ser realizada, nos últimos anos, em países com sistemas políticos não democráticos, a COP30 em Belém retoma uma presença marcante da sociedade civil. Ao longo dessa semana, por exemplo, uma série de manifestações vem ocorrendo na cidade. Numa delas, indígenas e ativistas chegaram a entrar em confronto com seguranças na Zona Azul, área oficial de negociações.
Populações extrativistas também marcharam pelas ruas da cidade pedindo reconhecimento de seu papel na proteção das florestas e indígenas Munduruku, que estão sofrendo pressão do garimpo e do agronegócio no coração da Amazônia, conseguiram se reunir com autoridades brasileiras após uma manifestação na entrada principal da COP30.
Na marcha deste sábado, segundo a organização, lideranças indígenas, amazônicas, comunitárias, representantes do poder público e da iniciativa privada, organizações nacionais e estrangeira estarão nas ruas. Durante o trajeto, estão programadas atividades culturais como oficinas de estandartes e cartazes, bonecos infláveis gigantes com personagem do Comitê COP30 e o Cortejo Visagento, um desfile simbólico da cultura paraense que destaca figuras folclóricas como o Curupira, espírito guardião da floresta.
Neste ano, o tema escolhido foi Lutar e Resistir contra os Predadores da Vida Disfarçados de Progresso, em referência aos impactos ambientais de catástrofes climáticas. A concentração da passeata será no Mercado São Brás. E o ponto de chegada está previsto para a Aldeia Amazônica.
"Trata-se de um grande momento de vazão de demandas populares e de poder decisório global”", define Carol Santos, da diretoria do Engajamundo, organização que integra a Aliança dos Povos pelo Clima e é formada por jovens de todo o país que atuam em causas de transformação social.
Para Anais Cordeiro, do Comitê Chico Mendes, há uma grande mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais e periféricas para a Marcha Mundial do Clima e para debates e negociações na COP 30. O Comitê Chico Mendes também estará presente no Espaço Chico Mendes e na Fundação Banco do Brasil, no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, entre os dias 7 e 21.
"Os desafios são grandes e a cooperação internacional é determinante na nova governança global", alerta Lygia Nassar, diretora-adjunta do Laboratório da Cidade, organização da sociedade civil de Belém atuante no debate sobre o clima junto às comunidades periféricas.
A pressão das ruas é fundamental para sensibilizar os convidados oficiais, diz Marcos Wesley, do Comitê COP 30. Um documento do grupo, intitulado Nossa Chance para Adiar o Fim do Mundo, apresenta mais de 30 propostas de diversas comunidades sobre a agenda climática. Cerca de cem organizações ligadas ao comitê participaram dessa construção coletiva.
A Cúpula dos Povos ocorre no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), à beira do Rio Guamá. O evento começou oficialmente na última quarta-feira (12), como uma barqueata pelo rio, com a participação de centenas de embarcações e um grito coletivo por justiça ambiental e climática.
A cúpula popular segue até domingo (16), quando será encerrada com um balanço geral. O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, é esperado na Cúpula dos Povos para a reunião de encerramento, onde deverá receber formalmente demandas das entidades, que podem ajudar na pressão pelas negociações da conferência que se seguirão pela próxima semana.
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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/belem-movimentos-sociais-preparam-marcha-mundial-pelo-clima-na-cop30

