O economista Bruno Corano, fundador da Corano Capital e residente há mais de 15 anos nos Estados Unidos, avalia que o encerramento do shutdown americano — após mais de 40 dias de paralisação — confirma que o episódio teve natureza política e impacto econômico limitado. Para ele, a aprovação do projeto na Câmara dos Representantes, liderada por Donald Trump, encerra uma disputa de poder típica do sistema americano.

Segundo Corano, a economia dos Estados Unidos manteve sua trajetória de resiliência ao longo de todo o impasse, com inflação sob controle, mercado de trabalho aquecido e consumo em patamar elevado. “O fim do shutdown apenas reforça que o barulho era político. A economia americana continuou funcionando, e o mercado já antecipava essa solução”, afirma.

O economista destaca que episódios como esse tendem a gerar ruído temporário, mas raramente alteram os fundamentos macroeconômicos. “Os Estados Unidos possuem mecanismos automáticos de ajuste e uma estrutura fiscal sólida. Mesmo com o governo parcialmente paralisado, os serviços essenciais e o fluxo financeiro seguem ativos”, explica.

Para Corano, a rápida normalização após a aprovação legislativa indica maturidade institucional e confiança dos agentes de mercado. “Quem manteve racionalidade nesse período, ao invés de reagir ao pânico, agora vê o sistema voltando à normalidade sem grandes prejuízos”, diz.

Ele conclui que o episódio reforça a força estrutural da economia americana e deve servir de lição para investidores em outros mercados. “O shutdown mostrou que, mesmo com tensões políticas, o equilíbrio entre as instituições prevalece. O barulho passa, os fundamentos ficam”, afirma.

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GEOFFREY PIPINO SCARMELOTE
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