O Brasil registrou em agosto o melhor desempenho histórico para as exportações de café no mês. Foram embarcadas 4,155 milhões de sacas de 60 quilos, considerando todas as categorias do produto, um crescimento de 31% em relação a agosto de 2025.
O resultado também se refletiu na receita. As vendas externas movimentaram US$ 1,331 bilhão, alta de 19,8% na comparação anual e o maior valor já registrado para um mês de agosto.
Os números fazem parte do relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Porto de Santos concentra a maior parcela
O desempenho do café brasileiro tem impacto direto sobre a movimentação portuária nacional. Entre janeiro e agosto de 2026, o Porto de Santos foi responsável pelo embarque de 17,788 milhões de sacas, equivalente a 70,9% de todo o café exportado pelo Brasil no período.
Na sequência aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, com 6,252 milhões de sacas, participação de 24,9%, e o Porto de Paranaguá, que embarcou 261.874 sacas, representando 1% do total.
A concentração dos embarques em Santos reforça o papel do complexo paulista como principal corredor de saída do café brasileiro para o mercado internacional.
Conilon e robusta ganham espaço
Um dos destaques do resultado de agosto foi o comportamento dos cafés da espécie canéfora, que reúne as variedades conilon e robusta.
Os embarques desse segmento chegaram a 953.592 sacas, crescimento de 53,6% sobre agosto do ano passado. Segundo o Cecafé, foi o melhor desempenho já registrado para essas variedades em um mês de agosto.
O café arábica também apresentou avanço. As exportações alcançaram 2,866 milhões de sacas, alta de 25,7% no comparativo anual.
Já o café solúvel teve crescimento de 24,3%, atingindo 332.192 sacas, enquanto o café torrado e torrado e moído somou 3.816 sacas.
Nova safra ajuda a impulsionar embarques
O resultado de agosto está relacionado principalmente à maior disponibilidade de café da nova safra.
A chegada do arábica ao mercado ocorreu depois de atrasos provocados pelas chuvas durante o período de colheita. Com a entrada de novos volumes, os exportadores conseguiram ampliar os embarques.
O avanço dos cafés canéforas também contribuiu de maneira significativa para o resultado, mostrando o crescimento da participação dessas variedades brasileiras no comércio internacional.
Primeiro bimestre da nova safra supera período anterior
Considerando julho e agosto, os dois primeiros meses do ano-safra 2026/2027 totalizaram 7,204 milhões de sacas exportadas, gerando receita de US$ 2,242 bilhões.
Na comparação com o primeiro bimestre do ciclo anterior, o volume aumentou 21,5%, enquanto a receita avançou 4,1%.
O resultado mostra uma recuperação dos embarques justamente no início de uma nova temporada comercial, embora o desempenho acumulado do ano ainda apresente retração.
Acumulado de 2026 ainda está abaixo do ano anterior
Apesar do recorde de agosto, o desempenho dos oito primeiros meses de 2026 ainda não supera o registrado no mesmo intervalo do ano passado.
De janeiro a agosto, o Brasil exportou 25,073 milhões de sacas para 119 países, queda de 1,2% diante das 25,370 milhões de sacas embarcadas no mesmo período de 2025.
A receita acumulada também recuou. Foram US$ 8,787 bilhões, contra US$ 9,686 bilhões no ano anterior, uma redução de 9,3%.
Segundo o Cecafé, o resultado acumulado foi influenciado pela menor disponibilidade de café no primeiro semestre, pela redução dos estoques e pelo atraso na chegada da nova safra.
Estados Unidos continuam como principal destino
Os Estados Unidos permanecem como o principal mercado consumidor do café brasileiro.
Nos primeiros oito meses do ano, os norte-americanos receberam 3,158 milhões de sacas, correspondentes a 12,6% das exportações brasileiras. Apesar da liderança, o volume representa uma queda de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025.
A Alemanha aparece na segunda posição, com 2,824 milhões de sacas, seguida por Itália, Bélgica e Japão.
O desempenho da Bélgica chama atenção: o país recebeu 2,115 milhões de sacas, crescimento de 39,2% na comparação anual.
Santos no centro da cadeia de exportação
Para o setor portuário, os números reforçam a importância estratégica de Santos na cadeia internacional do café.
Com mais de 17,7 milhões de sacas embarcadas somente nos oito primeiros meses do ano, o complexo santista responde por aproximadamente sete em cada dez sacas de café exportadas pelo Brasil.
Esse volume coloca pressão permanente sobre toda a cadeia logística, envolvendo armazenagem, transporte terrestre, terminais, programação de navios e disponibilidade de infraestrutura portuária.
O próprio Cecafé alerta que limitações na infraestrutura dos principais portos brasileiros continuam provocando atrasos nos embarques e custos adicionais aos exportadores, incluindo despesas com armazenagem e rolagem de cargas.
Para Santos, que concentra a maior parte dessa operação, a eficiência logística ganha ainda mais relevância diante do crescimento dos embarques e da necessidade de manter a competitividade brasileira no comércio internacional.
O recorde de agosto, portanto, não representa apenas uma marca histórica para o café brasileiro. Ele também evidencia a dimensão do desafio logístico de movimentar, armazenar e embarcar uma das principais commodities agrícolas do país.