A indústria naval brasileira registrou mais um avanço importante nesta semana com o lançamento ao mar da 27ª barcaça mineraleira construída pelo consórcio Tenenge-Enseada para a LHG Mining, empresa pertencente ao grupo J&F. A cerimônia ocorreu em Maragogipe, na Bahia, reforçando o protagonismo dos estaleiros nacionais em projetos de grande escala voltados ao transporte de cargas.

A embarcação integra um ambicioso programa que prevê a construção de 400 barcaças mineraleiras em quatro estaleiros localizados nas regiões Norte e Nordeste do país. Dentro desse projeto, o Estaleiro Enseada será responsável pela fabricação de 80 unidades.

Com 60 metros de comprimento e capacidade para transportar até 2.900 toneladas de carga, a nova barcaça representa mais um passo na ampliação da frota destinada às operações logísticas da LHG Mining. O programa tem papel estratégico para o escoamento da produção mineral e para o fortalecimento da navegação interior brasileira.

Além dos impactos operacionais, o projeto vem contribuindo significativamente para a geração de emprego e renda. Segundo informações do consórcio, a construção das embarcações já resultou na criação de mais de 500 empregos diretos e aproximadamente 900 postos indiretos no Recôncavo Baiano, impulsionando a economia regional e fortalecendo a cadeia produtiva da construção naval.

A iniciativa também faz parte da estratégia de diversificação da carteira de projetos da Tenenge, braço de engenharia industrial da Novonor. Recentemente, a empresa anunciou contrato com a CMM Offshore para a construção de seis embarcações especializadas em combate a derramamentos de óleo no mar, conhecidas como OSRV (Oil Spill Recovery Vessel), que serão utilizadas em operações da Petrobras pelos próximos 12 anos.

Considerado um dos maiores complexos navais do país, o Estaleiro Enseada possui capacidade para processar mais de 100 mil toneladas de aço por ano e conta com aproximadamente mil metros de cais. Inicialmente concebido para a construção e integração de unidades offshore, o empreendimento reúne cerca de US$ 1 bilhão em investimentos privados, figurando entre os maiores aportes já realizados na indústria naval brasileira.

O lançamento da 27ª barcaça ocorre em um momento de retomada gradual da construção naval nacional, impulsionada por novas encomendas dos setores de mineração, petróleo, gás e logística. Especialistas avaliam que a continuidade de projetos de longo prazo é fundamental para garantir previsibilidade, geração de empregos qualificados e fortalecimento da capacidade industrial brasileira.

Com a evolução do programa de 400 embarcações, a expectativa é que os estaleiros envolvidos ampliem sua participação na cadeia logística nacional, consolidando a construção naval como um importante vetor de desenvolvimento econômico e tecnológico para o país.