Uma ocorrência ferroviária registrada na manhã desta quarta-feira (23), na região de Limeira (SP), passou a exigir atenção de toda a cadeia logística com destino ao Porto de Santos.
Por volta das 11h40, cerca de sete vagões carregados com grãos tombaram durante a circulação de uma composição ferroviária na malha administrada pela Rumo. A composição seguia em direção ao litoral paulista.
De acordo com informações apuradas pelo Jornal Portuário, a ocorrência passou a gerar impactos na programação de chegada de trens ao Porto de Santos, justamente em um corredor estratégico para o escoamento de cargas agrícolas destinadas à exportação.
A Rumo informou, em nota à imprensa, que equipes técnicas foram imediatamente mobilizadas para o atendimento da ocorrência e para os trabalhos de normalização da via. A concessionária também informou que as causas do acidente serão apuradas.
Composição seguia para Santos
Informações obtidas pelo Jornal Portuário apontam que o trem seguia em direção ao Porto de Santos quando ocorreu o descarrilamento na região do Bairro do Tatu, em Limeira.
Segundo veículos que acompanharam a ocorrência no local, os vagões tombaram sobre uma ponte que passa pelo Ribeirão Tatu. Parte da carga de milho acabou atingindo o curso d'água. Não houve registro de feridos.
A ocorrência exigiu a mobilização de equipes especializadas para retirada dos vagões, recuperação da via e restabelecimento da circulação ferroviária.
Até o momento, a concessionária não divulgou uma previsão definitiva para a liberação completa do trecho.
Reflexos chegam à operação portuária
Embora o acidente tenha ocorrido fora do complexo portuário, seus efeitos podem ser sentidos ao longo da cadeia logística.
Isso acontece porque o trecho integra uma rota ferroviária utilizada para levar cargas do interior paulista em direção ao Porto de Santos. Uma interrupção ou redução temporária da capacidade de circulação pode exigir ajustes na programação dos trens, nos pátios ferroviários e, posteriormente, na recepção das cargas pelos terminais.
O próprio Porto de Santos informa que o modal ferroviário responde por aproximadamente 30% das cargas movimentadas no complexo, com acesso realizado pelos sistemas da Rumo, MRS e Ferrovia Centro-Atlântica. Dentro do Porto Organizado, a Portofer administra aproximadamente 100 quilômetros de trilhos.
Na prática, portanto, uma ocorrência em um ponto estratégico da malha pode produzir efeitos que ultrapassam o local do acidente, especialmente quando a composição está integrada a uma programação de exportação.
Normalização será determinante
Neste momento, o principal fator para dimensionar o impacto sobre a operação portuária é o tempo necessário para a retirada dos vagões e a liberação segura da via.
A Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana de Limeira informou que caminhões e equipamentos utilizados nos trabalhos de remoção também provocaram alterações no trânsito da região, com operação em sistema de pare e siga. A previsão divulgada localmente é de que os trabalhos relacionados à ocorrência possam provocar alterações até sábado (26).
No âmbito ferroviário, entretanto, ainda não há informação oficial indicando quanto tempo será necessário para a recuperação integral da circulação ou qual será o impacto acumulado sobre a programação de trens.
Por isso, o efeito sobre o Porto de Santos deve ser acompanhado ao longo das próximas horas, principalmente por terminais que dependem da chegada regular de composições para alimentação de seus estoques e programação de embarques.
Um ponto crítico da logística brasileira
O episódio em Limeira também evidencia a importância da infraestrutura ferroviária para a conexão entre as regiões produtoras e o maior complexo portuário do país.
Com o crescimento da participação ferroviária na matriz de acesso ao Porto de Santos, ocorrências em trechos de ligação passam a ter relevância não apenas para as concessionárias, mas para toda a cadeia logística: produtores, tradings, operadores ferroviários, terminais, transportadores, armadores e exportadores.
O Porto de Santos vem ampliando sua infraestrutura ferroviária justamente para aumentar a capacidade de recebimento e movimentação de cargas, incluindo intervenções na via permanente, novos pátios e melhorias destinadas à circulação de vagões.
No caso de Limeira, a prioridade agora é a retirada segura dos vagões, recuperação da via e retomada da circulação. As causas do descarrilamento ainda não foram divulgadas e, segundo a Rumo, serão devidamente apuradas.
O Jornal Portuário continuará acompanhando a ocorrência e seus possíveis reflexos sobre a programação ferroviária e a chegada de cargas ao Porto de Santos.
