Tendo o comércio exterior brasileiro como fonte, é possível notar uma forte divergência: mesmo que os pequenos negócios ocupem 40% das empresas exportadoras do país, seu papel internacional ainda enfrenta barreiras estruturais. Custos logísticos elevados, burocratização e a escassez de previsibilidade nas fronteiras geram gargalos para empreendedores que precisam se inserir e permanecer no mercado global, embora atuem com equipes reduzidas e poucos recursos.
Para reduzir essas dificuldades e democratizar o acesso a novos mercados, a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (ABRAEC) argumenta que usar as remessas expressas de forma estratégica é uma solução. Esse modelo atua como um simplificador logístico ao fornecer transporte, rastreamento contínuo e desembaraço aduaneiro em um único serviço. Segundo a diretora-executiva da entidade, Laura Gurgel, a modalidade permite que as pequenas indústrias importem insumos e materiais essenciais com agilidade, reduzindo o risco de paralisações operacionais provocadas pela falta de componentes. Em contrapartida, permite a exportação de amostras e pequenos lotes, possibilitando que o empresário teste a procura no exterior e desenvolva relações comerciais de forma gradual.
No entanto, a rigidez do ambiente regulatório permanece sendo um dos principais obstáculos para a expansão desse modelo. Como aponta a Organização Mundial do Comércio (OMC), os complexos processos de fronteira pesam de forma financeiramente desproporcional sobre os pequenos negócios. A preparação trabalhosa da documentação, associada à imprevisibilidade na liberação de cargas, requer um nível de estrutura e conhecimento técnico que equipes de menor porte geralmente não alcançam. A burocracia e os atrasos alfandegários podem encarecer as operações e prejudicar a competitividade e a credibilidade de pequenos exportadores brasileiros.
Para garantir a competitividade internacional dos pequenos negócios, a ABRAEC defende que o governo avance na simplificação das remessas expressas, propondo a integração de sistemas alfandegários e a adoção de regras e custos proporcionais à realidade do setor, considerando operações de menor escala, menor disponibilidade de capital e estruturas administrativas mais enxutas.
Para a entidade, a simplificação das remessas expressas pode contribuir para ampliar o acesso das micro e pequenas empresas ao comércio exterior, reduzindo custos e tornando as operações de importação e exportação mais previsíveis.

