O Porto de São Francisco do Sul, responsável pelo acesso à Baía da Babitonga, completou o crescimento de 8,8 quilômetros da Orla de Itapoá, no litoral Norte de Santa Catarina. O procedimento usou a draga Galileo Galilei, que retirou 7 milhões de metros cúbicos de resíduos do fundo da baía, enquanto aconteciam os processos de aprofundamento no canal portuário. 

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O alargamento começou no início do ano passado, iniciando na Praia Pontal do Norte, desenvolvendo-se pela Praia Princesa do Mar e sendo concluído na Praia Figueira do Pontal. A proposta marcou o primeiro caso no Brasil, e o segundo registrado no mundo, onde sedimentos extraídos de dragagem portuária foram reaproveitados para o alargamento de praias de forma direta.

A interferência abrange um planejamento de recuperação ambiental focado em conter o processo de erosão costeira e restaurar o ecossistema da orla. O processo estabelece a recomposição vegetativa de restinga por meio do plantio de 300 mil brotos de 6 espécies nativas distintas. 210 mil brotos já foram introduzidos em 31 áreas específicas da praia. 

Para assegurar a fixação dessa vegetação e a estabilidade da areia colocada, foi implementado um sistema contínuo de dunas, com padrões entre 1 e 1,15 metro de altura e cerca de 26 metros de largura. A infraestrutura de proteção conta, também, com cercamentos ecológicos, sinalização ambiental e caminhos elevados para o deslocamento de pedestres. 

As obras também geram alterações diretas no município vizinho. Segundo Cleverton Vieira, presidente do Porto, a intervenção fortalece um modelo de aliança entre a administração portuária e a cidade. No quesito social, a reconstrução da faixa de areia reforça a barreira física da costa, afetando a resiliência da comunidade local frente aos riscos climáticos e preserva o acesso de moradores à praia.

No âmbito econômico, a expansão favorece os ativos costeiros instalados na orla e alavanca o turismo na região de Itapoá, alinhando a operação logística à conservação do ambiente e do município.

A promoção financeira do programa, que precisou de R$ 333 milhões de investimentos, aconteceu através de uma parceria institucional entre os setores público e privado do ramo portuário. O tratado estabeleceu que a gestão do porto público de São Francisco efetuaria o aporte de R$ 33 milhões para os trabalhos. O montante restante, equivalente a R$ 300 milhões, foi financiado integralmente pelo terminal privado Itapoá. O modelo contratual estipula a indenização desse capital privado em parcelas, com prazo estabelecido até o ano de 2037. O pagamento será calculado em cima do adicional de taxas portuárias recebidas em função do crescimento no fluxo de navios acostados e do volume de carga movimentada, viabilizado pela entrega da obra. 

Na ótica operacional, o aprofundamento do canal de acesso à Baía de Babitonga modifica a logística de navegação regional. A dragagem acabará com a necessidade de fundeio intermediário para as embarcações que esperam operações nas instalações do Porto de São Francisco. O fim dessa etapa será uma redução de custos prevista na ordem de R$20 milhões anuais para as empresas que operam os navios da região.