Presidente Rodrigo Moreira destaca procura por vagas e a necessidade de ampliar parcerias empresariais para preparar profissionais para o mercado de trabalho
A formação de jovens para o mercado de trabalho é um dos caminhos para fortalecer a mão de obra do setor portuário e logístico da Baixada Santista. Essa é a avaliação de Rodrigo Moreira, presidente do CAMP Guarujá, que defende uma aproximação maior entre as empresas e as instituições de aprendizagem profissional para ampliar as oportunidades de primeiro emprego.
Durante participação no Portocast, iniciativa ligada ao Encontro Nacional Indústria Porto, Moreira apresentou os resultados e os desafios da instituição, que atua na preparação de adolescentes e jovens para ingressar no mercado de trabalho. Segundo ele, aproximadamente 80% dos jovens atendidos conseguem permanecer nas empresas ou são contratados após o período de aprendizagem.
O dirigente ressaltou que o resultado está relacionado à preparação dos participantes e ao acompanhamento realizado em conjunto com as empresas e as famílias. A proposta é desenvolver competências profissionais e comportamentais, preparando os jovens para lidar com as rotinas corporativas e as exigências do ambiente de trabalho.
Demanda por vagas supera oportunidades disponíveis
Um dos principais desafios apontados pelo presidente é ampliar a participação das empresas na oferta de vagas para aprendizes. De acordo com Moreira, em uma seleção recente, cerca de 600 candidatos disputaram 100 oportunidades, demonstrando a procura por uma chance de ingresso no mercado profissional.
O CAMP Guarujá também identificou aproximadamente 100 vagas para aprendizes que poderiam ser preenchidas por empresas da cidade, conforme o levantamento apresentado durante a entrevista. O dirigente defende que o empresariado veja a aprendizagem não apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade de preparar profissionais de acordo com as necessidades de cada organização.
Na avaliação de Moreira, exigir experiência prévia de quem busca o primeiro emprego contraria a própria finalidade dos programas de aprendizagem. Ele propõe que as empresas participem da formação, ofereçam acompanhamento e desenvolvam os talentos que poderão integrar seus quadros no futuro.
Logística está entre as áreas de formação
A logística é uma das áreas contempladas pela instituição. Conforme explicou o presidente, os jovens recebem uma formação inicial abrangente e, após serem encaminhados para uma empresa, passam a desenvolver competências específicas para a atividade que irão exercer.
O modelo inclui acompanhamento durante o contrato de aprendizagem, com diálogo entre a instituição, o jovem e a empresa para identificar dificuldades e ajustar o processo de formação. Na área logística, os participantes maiores de 18 anos podem ter contato com atividades operacionais, enquanto os mais novos ficam sujeitos às limitações legais aplicáveis ao trabalho de adolescentes.
Além da logística, o CAMP Guarujá oferece preparação para áreas administrativas, comércio, saúde e tecnologia, entre outras. A diversificação busca ampliar as possibilidades de inserção profissional em diferentes segmentos da economia local.
Estrutura ampliada para atender os jovens
Moreira informou que a instituição passou a ocupar, no Carnaval de 2026, uma nova sede com aproximadamente 6 mil metros quadrados de área construída. O espaço conta com cerca de 18 salas de aula e foi planejado para atender até 3 mil jovens.
Segundo o dirigente, o CAMP Guarujá tem 58 anos de atuação e já recebeu mais de 35 mil jovens ao longo de sua história. Na entrevista, ele também informou que aproximadamente 395 participantes estavam trabalhando em empresas em outubro de 2026.
A estrutura ampliada, entretanto, depende da abertura de oportunidades pelas organizações para que mais jovens possam ingressar nos programas. O presidente destacou que a capacidade de formação precisa estar acompanhada de vagas efetivas no mercado.
Parceria entre empresas e instituições de aprendizagem
Outro ponto abordado foi a possibilidade de as empresas apoiarem projetos sociais por meio de mecanismos de destinação de parte do Imposto de Renda aos fundos municipais dos direitos da criança e do adolescente, conforme as regras aplicáveis. Moreira afirmou que esses recursos podem contribuir para a aquisição de equipamentos, uniformes, materiais didáticos e outras necessidades da instituição.
O dirigente também destacou a importância de preparar os jovens para além das competências técnicas, com atenção ao relacionamento interpessoal, à responsabilidade e ao trabalho em equipe. A instituição mantém iniciativas de acompanhamento e desenvolvimento profissional em parceria com empresas, incluindo ações realizadas com a Wilson Sons, conforme relatado na entrevista.
Para o presidente do CAMP Guarujá, a ampliação dessas parcerias pode contribuir para reduzir a distância entre as necessidades das empresas e a preparação dos profissionais que estão começando a carreira.
A discussão ganha relevância para Guarujá, município que abriga parte importante das operações do Porto de Santos e possui oportunidades relacionadas à logística, ao comércio, aos serviços e ao desenvolvimento de novas atividades econômicas. A aproximação entre o setor produtivo e as instituições de aprendizagem pode ajudar a transformar a demanda por mão de obra em oportunidades concretas para a juventude da região.
Nota de apuração: os números de empregabilidade, candidatos por vaga, vagas disponíveis, estrutura e histórico institucional foram atribuídos às declarações de Rodrigo Moreira na entrevista. Antes da publicação, vale confirmar com o CAMP Guarujá os indicadores atualizados e o número de vagas mencionado, para evitar que estimativas sejam interpretadas como dados oficiais auditados.
