A Autoridade Portuária de Roterdã e a Associação Holandesa de Empresas de Armazenamento de Tanques, Votob, anunciaram a assinatura de um acordo de cooperação para ampliar a força-tarefa de combate à chamada falsificação de armazenamento. O esquema fraudulento envolve a venda de capacidade inexistente em tanques e estoques fictícios de matérias-primas e produtos, especialmente na área portuária de Roterdã.

A cooperação reúne ainda os Commodity Traders, representados pela TCT, o Distrito Policial do Porto e a equipe de Perícia Digital. O objetivo é fortalecer o enfrentamento a um tipo de fraude que ocorre principalmente pela internet, quando criminosos criam sites falsos e se apresentam como representantes de empresas reconhecidas de armazenamento.

Nesse modelo de golpe, comerciantes internacionais são induzidos a fechar negócios que não existem, transferindo valores por produtos e espaços de armazenagem inexistentes. Além das perdas financeiras, empresas legítimas têm seus nomes e dados utilizados indevidamente, o que afeta reputações e a credibilidade do porto. Em alguns casos, caminhões-tanque chegam aos terminais para retirar cargas que simplesmente não existem.

Segundo estimativas, os prejuízos anuais para comerciantes chegam a pelo menos 10 milhões de euros. Apenas em 2025, foram comunicadas à força-tarefa transações suspeitas que somam 2,5 bilhões de euros. O impacto também atinge a imagem do complexo portuário, considerado um dos mais importantes da Europa.

O diretor da Votob, Willem-Henk Streekstra, afirmou que as empresas associadas lidam com o problema há anos e que o novo acordo traz suporte profissional adicional para reduzir os casos. Ele destacou que a atuação conjunta amplia a capacidade de resposta em comparação com iniciativas isoladas.

Os primeiros registros desse tipo de fraude surgiram há cerca de 15 anos. O aumento no número de incidentes levou à criação de uma força-tarefa em 2017, inicialmente vinculada à Ferm Rotterdam, hoje Ferm Seaports. Desde então, foram implementadas campanhas de conscientização, entrevistas, artigos de referência e ferramentas digitais.

Entre as principais ações está a criação de uma lista negra de sites não confiáveis, que já reúne mais de 1.250 domínios, além de uma lista branca com plataformas consideradas seguras para transações comerciais. A cooperação com a Fundação Holandesa para Registro de Domínios da Internet, SIDN, iniciada em 2020, possibilita retirar do ar sites fraudulentos com domínio .nl. Em 2024, os Commodity Traders passaram a apoiar a avaliação da confiabilidade de ofertas e documentos, auxiliando na inclusão de novos endereços suspeitos na lista negra.

A força-tarefa também migrou sua atuação digital para a plataforma storagespoofing.nl, que agora concentra informações e alertas ao mercado. As autoridades alertam que os fraudadores utilizam principalmente sites falsos, e-mails e documentos adulterados, explorando dados públicos disponíveis em registros empresariais e plataformas digitais para dar aparência de legitimidade às operações.

Com a ampliação da cooperação, o Porto de Roterdã busca reduzir os casos de fraude, proteger comerciantes internacionais e preservar a reputação de um dos maiores hubs logísticos do mundo.