A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (ABRAEC) realizou, entre os dias 11 e 13 de agosto, a 2ª Semana das Remessas Expressas, em Brasília, uma agenda de encontros que reuniu representantes do setor, Poder Executivo, Congresso Nacional, órgãos reguladores e entidades empresariais para discutir os desafios e as perspectivas das remessas expressas internacionais no Brasil.
A programação abordou temas estratégicos para o futuro do segmento, como o tratamento das remessas expressas, os impactos da MP 1.357/2026, a Reforma Tributária, a competitividade da carga aérea, a infraestrutura logística, a segurança das operações e a importância do setor para o comércio exterior e para diferentes segmentos da economia brasileira.
A agenda teve início no dia 11 de agosto, com reunião da ABRAEC com a Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana), da Receita Federal, para discutir o futuro das remessas expressas e o aprimoramento do tratamento das operações. No dia seguinte, a entidade participou de reuniões com parlamentares e da audiência pública da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, dedicada às cinco décadas das remessas expressas no Brasil.
Representando a ABRAEC na audiência, a diretora-executiva Lara Gurgel destacou que o setor está presente no país há 50 anos e desempenha um papel estratégico para a conectividade e o comércio exterior brasileiro: “O modelo de transporte integrado porta a porta envolve não apenas o transporte aéreo, mas também frotas terrestres e diferentes estruturas logísticas necessárias para conectar remetentes e destinatários em todo o território nacional, inclusive regiões remotas, ao mercado internacional”.
A executiva ressaltou que a atuação das empresas vai muito além do comércio eletrônico e atende demandas de empresas, indústrias e diferentes setores da economia, incluindo o transporte de medicamentos, insumos para a saúde, documentos, amostras, peças e componentes necessários para reparos e manutenção de equipamentos. “As remessas expressas surgiram muito antes do comércio eletrônico e desempenham um papel muito mais estratégico para a economia brasileira e para a conectividade do nosso país”, enfatizou.
Regulação e tributação
Durante a audiência pública, Lara abordou a evolução do Programa Remessa Conforme e defendeu que o aprimoramento das regras considere as particularidades dos diferentes modelos de operação. “Somos parceiros do Programa Remessa Conforme, e queremos seguir juntos com a Receita Federal nessa evolução do programa.”
A tributação também esteve entre os principais temas da agenda, especialmente diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária. Para a ABRAEC, é necessário buscar equilíbrio entre arrecadação, competitividade e capacidade de investimento das empresas. “Defendemos uma tributação equilibrada e regras que permitam às empresas manter investimentos e ampliar a eficiência das operações, sem comprometer o acesso de empresas e consumidores a produtos, peças, componentes e insumos que, muitas vezes, não possuem similar disponível no Brasil.”
Lara destacou ainda a importância da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória para estimular novos investimentos no país, incluindo a ampliação de estruturas aeroportuárias e novos armazéns alfandegados, e o compromisso com a conformidade também foi ressaltado pela executiva. As empresas associadas à ABRAEC mantêm atuação conjunta com órgãos como Receita Federal, Anvisa e MAPA e participam de programas de certificação, como o Operador Econômico Autorizado (OEA). “A atuação do setor também contribui para o combate à contrafação, ao contrabando e a outras irregularidades, além de apoiar empresas brasileiras que precisam de agilidade e previsibilidade para acessar mercados, insumos e componentes”, ressaltou.
Agenda ConectAR – Workshop Remessas Expressas
No dia 13 de agosto, encerrando a programação, a ABRAEC participou da Agenda ConectAR – Workshop Remessas Expressas, promovida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) em parceria com a entidade. O encontro reuniu representantes do governo, agências reguladoras, empresas e outros integrantes da cadeia logística para discutir competitividade, infraestrutura, inovação, inteligência artificial, Reforma Tributária e os desafios para o desenvolvimento da carga aérea e das remessas expressas.
No painel “Competitividade e Inovação das Remessas Expressas: Oportunidades para impulsionar comércio, inovação e desenvolvimento”, o diretor da ABRAEC Daniel Souza destacou a contribuição do setor para a área da saúde, especialmente no transporte de medicamentos e insumos utilizados em pesquisas clínicas: “As remessas expressas possibilitam a continuidade de pesquisas clínicas. Só de pensar que hoje 60% dos medicamentos em desenvolvimento requerem controle de temperatura e manuseio especial, fica claro que, cada vez mais, à medida que a população envelhece, que as remessas expressas estarão envolvidas em projetos desafiadores como esses”.
O painel também contou com a participação de Priscila Mezzalira, executiva de Logística Aérea da Alibaba/Cainiao, que ressaltou o papel estratégico do comércio eletrônico na conexão entre produtores brasileiros e novos mercados. “As empresas nacionais precisam aproveitar as estruturas de comércio eletrônico já disponíveis no Brasil, como as plataformas internacionais e a logística expressa, para levar seus produtos ao mundo. Queremos que os aviões não apenas cheguem cheios, mas também partam cheios do Brasil”, afirmou.
Já no painel “Carga Aérea: desafios para previsibilidade regulatória e melhoria do ambiente de negócios”, Diana Oliveira, Regulatory Affairs Senior Manager da DHL Express Brasil, destacou a complexidade das operações de remessas expressas e a importância da padronização e da conformidade ao longo da cadeia logística. “Na DHL Express, operamos em mais de 220 países e somos mais de um milhão de pessoas. É muita gente. Como garantir que todo esse processo aconteça com um tempo de trânsito adequado para o cliente, que tem pressa e quer fazer sua remessa chegar? Esse é o nosso grande desafio. Dentro da DHL, temos uma política global de conformidade aduaneira. Tudo precisa ser padronizado para garantir qualidade de ponta a ponta, com segurança”, pontuou.
Aproximação com o setor produtivo
A programação da Semana incluiu ainda reunião com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada no dia 13, ampliando o diálogo da ABRAEC com o setor produtivo sobre a importância das remessas expressas para a atividade industrial e para o acesso a insumos, componentes, equipamentos e mercados internacionais.
Ao reunir diferentes atores da cadeia ao longo de três dias, a 2ª Semana das Remessas Expressas reforçou a importância da articulação entre empresas, governo, Parlamento, órgãos reguladores e setor produtivo para a construção de soluções que favoreçam o desenvolvimento da logística brasileira.
Para Lara Gurgel, a agenda também representa uma oportunidade para apresentar a dimensão e a contribuição do setor para o país.
“A Semana das Remessas Expressas foi uma oportunidade importante para aproximar os diferentes atores que fazem parte dessa cadeia e mostrar, de forma concreta, a contribuição do setor para o Brasil. O nosso objetivo é continuar dialogando e construindo soluções que permitam ao segmento crescer com segurança, eficiência e competitividade.”
A ABRAEC avalia que a manutenção desse diálogo é fundamental para avançar em temas como segurança jurídica, tributação equilibrada, investimentos, infraestrutura, competitividade e conformidade, criando condições para que as remessas expressas continuem contribuindo para o comércio exterior e para a integração do Brasil às cadeias globais.

