A Tidewater concluiu a aquisição da Wilson Sons Ultratug Offshore (WSUT), em uma operação que amplia significativamente sua presença no mercado brasileiro de apoio marítimo. O negócio tornou-se efetivo em 31 de agosto e inclui a Wilson, Sons Ultratug Participações e sua afiliada Atlantic Offshore Services.

Com a transação, 22 embarcações do tipo PSV passam a integrar a estrutura da Tidewater. A aquisição transforma a escala da companhia no Brasil: a frota local, anteriormente formada por seis embarcações, passa a contar com 28 unidades.

O movimento também reforça a posição da empresa no mercado internacional de embarcações de apoio offshore, segmento responsável por atender plataformas, unidades de produção e projetos de exploração de petróleo e gás em alto-mar.

Negócio avaliado em US$ 500 milhões

Quando a aquisição foi anunciada, em fevereiro de 2026, a operação foi avaliada em aproximadamente US$ 500 milhões, considerando o valor da empresa e a incorporação das dívidas existentes.

A Tidewater informou que a aquisição seria realizada com recursos disponíveis em caixa. A estrutura também previa a manutenção de aproximadamente US$ 261 milhões em financiamentos contratados pela WSUT com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil.

O acordo recebeu aprovação unânime do conselho de administração da Tidewater e passou pela análise dos órgãos reguladores, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação estava inicialmente prevista para ser concluída no segundo trimestre, mas o fechamento foi reprogramado para o fim de agosto.

Compra envolve a operação offshore, não todo o Grupo Wilson Sons

A aquisição está concentrada na Wilson Sons Ultratug Offshore e na Atlantic Offshore Services. Isso significa que o negócio não representa a compra integral do Grupo Wilson Sons nem inclui automaticamente suas atividades em terminais de contêineres, rebocadores portuários, estaleiros, agenciamento marítimo e bases de apoio.

A WSUT foi estruturada como uma parceria entre a Wilson Sons e o grupo chileno Ultramar, com atuação especializada no apoio às operações de exploração e produção de petróleo e gás.

Sua frota é composta principalmente por embarcações do tipo PSV — Platform Supply Vessel. Esses navios transportam equipamentos, peças, água, combustível, produtos químicos, alimentos e outros suprimentos necessários ao funcionamento das unidades marítimas.

Além do transporte no convés, os PSVs possuem tanques específicos para cargas líquidas e materiais utilizados nas atividades de perfuração, completação e manutenção de poços.

Frota brasileira tem peso estratégico

Entre as 22 embarcações adquiridas, 19 foram construídas no Brasil. Esse ponto ajuda a explicar o interesse da Tidewater pela operação.

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A legislação brasileira concede prioridade às embarcações de bandeira nacional e construídas no país em determinadas condições de contratação e afretamento. Dessa forma, controlar uma frota majoritariamente brasileira pode representar uma vantagem competitiva em licitações e contratos de longo prazo.

A estrutura também oferece capacidade relacionada ao Registro Especial Brasileiro (REB), mecanismo que pode facilitar a utilização de embarcações estrangeiras dentro das regras aplicadas ao mercado nacional.

Quando anunciou a compra, a Tidewater informou que 21 dos 22 navios da WSUT estavam em operação no Brasil. Isso permitiu à empresa adquirir não apenas embarcações, mas uma estrutura já posicionada comercialmente, com tripulações, contratos, experiência regulatória e relacionamento com clientes do setor energético.

Carteira de contratos chega a US$ 441 milhões

Outro ativo relevante está na carteira de contratos da WSUT, estimada em aproximadamente US$ 441 milhões no momento do anúncio da transação.

Na avaliação da Tidewater, parte desses contratos ainda possuía diárias inferiores aos valores praticados pelo mercado. A expectativa da companhia é capturar receitas maiores à medida que os acordos forem renovados ou renegociados.

Antes da conclusão, a empresa projetava que a operação adquirida poderia gerar aproximadamente US$ 220 milhões em receitas e uma margem bruta próxima de 58% nos primeiros 12 meses após o fechamento. Esses valores representam projeções da compradora e dependerão da utilização da frota, da renovação dos contratos e das condições do mercado offshore.

Tidewater amplia frota global

Com a incorporação dos ativos da WSUT, a Tidewater passa a controlar 213 embarcações classificadas como OSVs — Offshore Support Vessels.

Considerando também barcos de transporte de tripulantes, rebocadores e embarcações de manutenção, sua frota global chega a aproximadamente 231 unidades.

A companhia norte-americana possui cerca de 70 anos de atuação e presta serviços de apoio a projetos de exploração, produção e geração de energia em diferentes regiões do mundo.

Além dos PSVs, o o mercado de apoio marítimo utiliza embarcações como AHTS, destinadas ao manuseio de âncoras, reboque e suprimento; unidades de resposta a emergências; barcos para transporte de profissionais; e navios especializados em manutenção e intervenção submarina.

Brasil ocupa posição central na estratégia

O aumento da presença da Tidewater reflete a importância do Brasil no mercado mundial de petróleo offshore. A produção em águas profundas e ultraprofundas exige uma extensa cadeia logística para manter plataformas e unidades de produção continuamente abastecidas.

Cada novo projeto demanda transporte de equipamentos, materiais de perfuração, alimentos, combustíveis e equipes. Essa movimentação conecta bases terrestres, portos, estaleiros, empresas de navegação e unidades marítimas localizadas a centenas de quilômetros da costa.

Para a Tidewater, a compra da WSUT oferece uma entrada imediata em escala, evitando o processo mais demorado de importação, adaptação regulatória e contratação individual de embarcações.

Ao anunciar a operação, a companhia classificou o mercado brasileiro como um dos mais relevantes e atrativos do mundo para embarcações de apoio, principalmente pelas perspectivas de longo prazo da atividade offshore.

Integração será o próximo desafio

Concluída a aquisição, começa a etapa de integração das embarcações, dos trabalhadores, dos contratos e dos sistemas operacionais à plataforma global da Tidewater.

A companhia terá de conciliar seus padrões internacionais de gestão com as particularidades brasileiras relacionadas à bandeira, tripulação, conteúdo local, financiamento naval e regulamentação do transporte aquaviário.

Também será necessário preservar o conhecimento acumulado pela WSUT no relacionamento com clientes e na operação em águas profundas.

A incorporação acontece em um momento de valorização das embarcações de apoio mais modernas. Com a retomada dos investimentos offshore e a disponibilidade limitada de navios de alta especificação, os níveis de utilização e as diárias vêm ganhando importância nas estratégias dos grandes operadores.

Mais do que uma expansão de frota, a aquisição coloca a Tidewater em uma nova posição no Brasil. A empresa deixa de ter uma participação limitada para assumir escala suficiente para disputar contratos maiores e acompanhar o crescimento dos projetos offshore no país.

Da Redação — Jornal Portuário