Transporte marítimo deverá ampliar quadro de oficiais certificados em mais de 114 mil profissionais até 2030
A necessidade de profissionais qualificados segue entre os principais desafios da navegação mundial. Um novo levantamento elaborado pela BIMCO em parceria com a International Chamber of Shipping (ICS) estima que o transporte marítimo precisará formar e incorporar 113.735 oficiais certificados até 2030 para atender à expansão da frota mercante e manter o ritmo de crescimento das operações globais.
O estudo aponta que atualmente existem cerca de 2,57 milhões de marítimos embarcados em aproximadamente 85.148 navios mercantes ao redor do mundo. Ainda assim, a indústria já convive com um déficit de 39.100 oficiais certificados pela Convenção STCW, cenário que evidencia a dificuldade em suprir a demanda por profissionais especializados.
De acordo com a projeção, será necessário recrutar anualmente cerca de 22.747 oficiais e 8.475 marinheiros até o fim da década. Em termos percentuais, isso representa um crescimento médio de 2% ao ano na demanda por oficiais e de 0,5% para marinheiros.
Crescimento da frota impulsiona demanda
Os dados mostram que a procura por profissionais certificados aumentou significativamente desde a edição anterior do relatório, publicada em 2021. A demanda total por marítimos certificados pela STCW registrou crescimento de 35%, impulsionada principalmente pela expansão da frota mercante e pela recuperação da atividade marítima após a pandemia.
No mesmo período, a necessidade de oficiais avançou 23,1%, enquanto a demanda por marinheiros apresentou crescimento ainda maior, de 46,3%.
Para o secretário-geral e CEO da BIMCO, David Loosley, o setor precisa atuar de forma coordenada para garantir a disponibilidade de mão de obra qualificada nos próximos anos.
Segundo ele, investir em recrutamento, formação e retenção de profissionais será determinante para que a indústria consiga atender às necessidades futuras da navegação mundial.
Novas competências serão fundamentais
O secretário-geral da ICS, Thomas A. Kazakos, destaca que o desafio não está apenas em ampliar o número de profissionais, mas também em preparar a força de trabalho para um cenário de rápidas transformações tecnológicas e ambientais.
Com a adoção de combustíveis alternativos, novas tecnologias embarcadas e processos cada vez mais digitalizados, o setor demandará profissionais com competências atualizadas para acompanhar a transição energética e operacional da indústria marítima.
Além disso, a retenção de profissionais experientes passa a ser considerada estratégica para garantir a transferência de conhecimento às novas gerações.
Investimento em formação ganha protagonismo
O relatório recomenda que governos, empresas e instituições de ensino ampliem programas de formação marítima, fortaleçam iniciativas de atração de jovens para a carreira e desenvolvam políticas voltadas à retenção de talentos.
Também é defendido um monitoramento mais eficiente das tendências globais de emprego marítimo, permitindo respostas mais rápidas diante da crescente escassez de mão de obra especializada.
Para as entidades responsáveis pelo estudo, assegurar uma oferta suficiente de profissionais qualificados será um dos fatores decisivos para manter a competitividade do transporte marítimo e garantir o funcionamento das cadeias logísticas internacionais nos próximos anos.

