China impõe tarifa adicional de 55% à carne bovina brasileira

Nova política da China redefine mercado global da carne e impõe desafios ao Brasil

Por Luiz C Oliveira-redação @jornalportuario
4 Min
China impõe tarifa adicional de 55% à carne bovina brasileira
Imagem ilustrativa

A China anunciou a adoção de um novo regime de salvaguarda para a importação de carne bovina, estabelecendo cotas específicas por país e a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esses limites. A decisão foi divulgada pelo Ministério do Comércio chinês (Mofcom) e passa a valer a partir desta quinta-feira, com vigência prevista até 31 de dezembro de 2028.

Pelo novo modelo, o Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês, terá direito a exportar, em 2026, até 1,106 milhão de toneladas sem a incidência da sobretaxa. A cota brasileira será ampliada gradualmente, alcançando 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. Qualquer volume embarcado acima desses patamares estará sujeito à tarifa adicional de 55%, somada às alíquotas já existentes.

Os números evidenciam o impacto da medida. Apenas entre janeiro e novembro deste ano, o Brasil exportou cerca de 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para a China, movimentando mais de US$ 8 bilhões. O volume supera com folga a cota prevista para o primeiro ano de vigência das novas regras, o que tende a exigir ajustes relevantes na estratégia comercial do setor.

Outros exportadores também enfrentam limites

Além do Brasil, outros grandes exportadores de carne bovina terão suas vendas limitadas por cotas. A Argentina contará com 511 mil toneladas em 2026, seguida por Uruguai com 324 mil toneladas, Nova Zelândia com 206 mil toneladas, Austrália com 205 mil toneladas e Estados Unidos com 164 mil toneladas. As cotas foram definidas de acordo com a participação histórica de cada país nas importações chinesas, sendo o Brasil responsável por cerca de 45% do total adquirido pela China.

Defesa da indústria chinesa

Ao justificar a decisão, o governo chinês alegou que o crescimento acelerado das importações causou danos significativos à indústria doméstica. Segundo o Mofcom, houve queda nos preços pagos aos pecuaristas locais e no valor da carne no mercado interno, o que motivou a abertura da investigação de salvaguarda em dezembro de 2024.

As autoridades chinesas afirmaram ainda que as medidas poderão ser flexibilizadas gradualmente ao longo do período de implementação e revisadas caso o cenário de mercado se altere. Volumes de cota não utilizados não poderão ser transferidos para anos seguintes. Durante a vigência da salvaguarda, dispositivos especiais previstos no acordo de livre comércio entre China e Austrália ficarão suspensos.

Reação do setor brasileiro

Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alertaram que a medida altera as condições de acesso ao principal mercado da carne bovina brasileira e exigirá reorganização de fluxos produtivos e logísticos a partir de 2026.

As entidades destacaram que a China segue como destino estratégico para a pecuária nacional e que as exportações brasileiras são resultado de uma relação comercial construída ao longo de anos, baseada em regularidade de fornecimento e cumprimento rigoroso de exigências sanitárias. Ressaltaram ainda que a cadeia da pecuária bovina tem papel central na economia brasileira, sustentando cerca de 7 milhões de empregos diretos e indiretos, além de gerar renda em milhares de municípios.

ABIEC e CNA informaram que seguirão atuando junto ao governo brasileiro e às autoridades chinesas para mitigar os impactos da sobretaxa e preservar o fluxo comercial historicamente praticado, considerado essencial para o equilíbrio do setor.


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