Indústria naval chinesa entra em 2026 com carteira cheia e aposta em tecnologia

País lidera entregas, novas encomendas e carteira de pedidos, segundo dados oficiais

Por Redação Jornal Portuário-
2 Min
Indústria naval chinesa entra em 2026 com carteira cheia e aposta em tecnologia
foto ilusrativa

A China manteve em 2025, pelo 16º ano consecutivo, a posição de maior construtor naval do mundo e ampliou sua participação nos principais indicadores globais do setor. Dados divulgados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação indicam que o país liderou as entregas de navios, as novas encomendas e a carteira de pedidos ao longo do ano passado.

As embarcações construídas por estaleiros chineses somaram 53,69 milhões de toneladas de porte bruto em 2025, crescimento de 11,4% em relação ao ano anterior. O volume representou 56,1% da produção mundial. Ao final de dezembro, a carteira de pedidos alcançou 274,42 milhões de toneladas de porte bruto, avanço de 31,5%, equivalente a 66,8% dos pedidos globais em aberto. Já as novas encomendas atingiram 107,82 milhões de toneladas de porte bruto, o que corresponde a 69% do mercado global.

Segundo Li Yanqing, vice-presidente da Associação Chinesa da Indústria Naval Nacional, os estaleiros do país iniciaram 2026 com encomendas suficientes para garantir entre três e quatro anos de produção contínua. De acordo com ele, a integração crescente de inteligência artificial e sistemas digitais nos processos de projeto, fabricação e operação de navios tem elevado a eficiência do setor e contribuído para uma indústria mais sustentável e inteligente.

O professor Yu Xinding, da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, afirmou que a China segue à frente em áreas estratégicas como energia limpa e transporte marítimo inteligente. Para ele, essas vantagens estruturais aumentam a resiliência da indústria naval chinesa diante de pressões externas.

Yu citou as taxas portuárias adicionais impostas pelo governo dos Estados Unidos a navios chineses, medida adotada na tentativa de reativar a indústria naval americana. Pequim respondeu com contramedidas imediatas, estabelecendo taxas especiais para embarcações provenientes dos Estados Unidos.

Segundo o professor, sanções e sobretaxas não são capazes de alterar o cenário global da construção naval. Na avaliação dele, a ruptura das regras comerciais no setor tende a gerar custos elevados para diversas economias ao redor do mundo, sem impactar de forma significativa a liderança chinesa.


  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »