O Irã elevou a tensão no Golfo ao tentar intimidar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio global de petróleo e gás. Segundo alertas oficiais, autoridades iranianas passaram a comunicar navios pelo Canal 16 — frequência internacional de emergência e chamada no rádio VHF — informando que o Estreito estaria fechado.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), sediado em Dubai, emitiu um aviso às 07:00 UTC do dia 28 de fevereiro relatando as comunicações iranianas. No entanto, o órgão britânico destacou que esse tipo de contato por rádio não constitui um meio legal ou reconhecido internacionalmente para determinar o fechamento da via marítima.
Como as tentativas de dissuasão não surtiram o efeito esperado, autoridades iranianas teriam intensificado as ações na região. Até as 12h deste domingo, três embarcações haviam sido atingidas, segundo relatos iniciais.
O UKMTO recomendou que os navios mercantes mantivessem suas rotas, porém com cautela redobrada, especialmente ao navegar próximo a navios de guerra que oferecem proteção no Estreito. A entidade também reconheceu que a situação é dinâmica e pode evoluir rapidamente.
O Estreito de Ormuz é considerado um ponto crítico da geopolítica global, por onde transita uma parcela significativa da produção mundial de petróleo. Qualquer interrupção prolongada na passagem tende a impactar cadeias logísticas, mercados de energia e custos de transporte marítimo.
Especialistas avaliam que o episódio pode ampliar o risco para seguradoras, elevar prêmios de seguro de guerra e forçar companhias de navegação a reconsiderar rotas alternativas, ainda que mais longas e custosas.