O Brasil, a Noruega e a Holanda estão unindo esforços para desenvolver o primeiro corredor marítimo verde em águas profundas do Oceano Atlântico. A iniciativa foi apresentada oficialmente durante evento realizado na Embaixada da Noruega, em Brasília, e marca um avanço significativo na agenda global de descarbonização do transporte marítimo.
O projeto tem como objetivo criar rotas marítimas sustentáveis entre a América do Sul e a Europa, reduzindo significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas ao comércio internacional. A proposta está alinhada às metas climáticas globais e aos compromissos assumidos pelo setor marítimo para acelerar a transição energética.
O estudo de viabilidade técnica e econômica foi elaborado pela consultoria norueguesa DNV, a pedido do Conselho de Pesquisa da Noruega, e é resultado de mais de um ano de cooperação entre os governos envolvidos. A parceria foi formalizada por meio de um memorando de entendimento assinado em fevereiro de 2025 entre os ministérios responsáveis pelas áreas de clima, meio ambiente e infraestrutura portuária dos dois países, posteriormente ampliada com a adesão da Holanda.
A pesquisa identificou três rotas consideradas prioritárias para a implementação do corredor verde. A principal delas conecta o Porto de Vila do Conde à cidade de Karmøy. Segundo o estudo, esse corredor responde por aproximadamente 66% das emissões geradas pelas operações marítimas entre Brasil e Noruega, tornando-se um dos principais focos das estratégias de redução de carbono.
Outra rota considerada estratégica liga o Porto de Santos ao Porto de Rotterdam, maior porto da Europa e uma das principais portas de entrada para mercadorias no continente. A terceira conexão proposta une o Porto do Pecém a Rotterdam, aproveitando oportunidades de integração com o programa europeu Global Gateway, voltado ao fortalecimento de infraestruturas sustentáveis e estratégicas.
A criação de corredores marítimos verdes envolve uma série de medidas, incluindo o uso de combustíveis de baixo carbono, eletrificação de operações portuárias, digitalização logística e investimentos em infraestrutura para abastecimento de novas fontes energéticas, como hidrogênio verde, amônia e combustíveis sintéticos.
Para o Brasil, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar sua participação na economia de baixo carbono e consolidar sua posição como fornecedor global de combustíveis sustentáveis para o setor marítimo. Além disso, os portos brasileiros envolvidos poderão atrair novos investimentos e fortalecer sua competitividade internacional.
O transporte marítimo é responsável por cerca de 80% do comércio mundial e desempenha papel fundamental na economia global. Com o avanço dos corredores verdes, a expectativa é acelerar a transformação do setor, reduzindo impactos ambientais e contribuindo para o cumprimento das metas climáticas estabelecidas internacionalmente.
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