Acordo do Governo Federal com JBS e Vietnã ameaça 30 mil produtores de tilápia em SC
Importação de tilápia do Vietnã acende alerta em Santa Catarina
Setor de tilápia em SC teme perdas econômicas e sanitárias após importação vietnamita avançar com apoio do governo federal.
A confirmação da chegada ao Brasil de um contêiner carregado com tilápia proveniente do Vietnã acendeu um forte sinal de alerta entre produtores de Santa Catarina. Fontes internacionais estimam que esse carregamento é apenas parte de um lote muito maior, que pode chegar a 32 contêineres e somar aproximadamente 700 toneladas de pescado.
O risco imediato apontado pelo setor é duplo. De um lado, há o impacto econômico de um produto estrangeiro que chega ao país com custo significativamente mais baixo. De outro, há o temor de dumping e desequilíbrio no mercado interno, que hoje depende da saúde financeira de milhares de produtores.
O governo de Santa Catarina reagiu rapidamente. Em entrevista ao Jornal Razão, o secretário estadual Tiago Bolan Frigo informou que o estado iniciou movimentos formais para tentar barrar ou revisar a decisão federal que permitiu a entrada do pescado vietnamita. Segundo ele, o tema já foi discutido com o governador Jorginho Melo e está avançando para o âmbito jurídico.
O secretário afirma que levará o caso à Procuradoria Geral do Estado ainda hoje, com pedido de judicialização. A justificativa recai sobre possíveis danos econômicos, ameaça sanitária e impacto direto na cadeia produtiva local. Frigo destaca que a tilápia representa uma atividade estratégica para o estado. Somente na região sul, municípios como Armazém, Grão-Pará e Rio Fortuna figuram entre os principais produtores. Santa Catarina ocupa a quarta posição no ranking nacional, e uma decisão federal dessa magnitude pode comprometer a estabilidade de um setor que envolve cerca de 30 mil produtores.
A preocupação sanitária ganha ainda mais destaque porque a tilápia do Vietnã havia sido suspensa anteriormente devido ao risco de disseminação do Tilapia Lake Virus, conhecido por seus impactos devastadores na produção. A retomada das importações ocorre após a recente viagem do presidente Lula ao Vietnã, que resultou em acordos bilaterais envolvendo a empresa JBS.
Para os produtores catarinenses, a chegada dos primeiros contêineres indica um cenário que exige atenção redobrada. O setor teme não apenas perdas econômicas, mas também potenciais impactos na biossegurança da piscicultura nacional. Com o mercado interno já pressionado por custos de produção elevados, a concorrência com peixe importado mais barato pode gerar um efeito cascata, desde queda de preços até inviabilidade operacional para pequenos e médios criadores.
O governo catarinense promete agir em todas as frentes possíveis para proteger os empregos, a produção local e a integridade sanitária do estado. Enquanto isso, os produtores aguardam definições que podem moldar o futuro da piscicultura na região e no país.