O Arco Norte consolidou sua posição como um dos principais corredores de exportação de grãos do Brasil. Entre janeiro e agosto de 2026, os portos da região responderam por 48,98% das exportações brasileiras de milho, praticamente metade de todo o volume enviado ao mercado internacional no período.
Os dados fazem parte do levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha o desempenho dos principais corredores logísticos utilizados no escoamento da produção agrícola brasileira.
O resultado reforça uma mudança estrutural na logística de exportação de commodities agrícolas. O crescimento da participação do Arco Norte amplia as alternativas de escoamento para produtores e tradings, reduzindo a concentração histórica das exportações nos portos do Sul e Sudeste.
Santos mantém posição estratégica
Apesar do avanço dos portos do Arco Norte, o Porto de Santos permanece como um dos principais pontos de saída do milho brasileiro. No acumulado de janeiro a agosto, Santos respondeu por 27,08% dos embarques do cereal, segundo os dados da Conab.
A participação demonstra que os dois grandes corredores têm papéis complementares na logística nacional. Enquanto Santos mantém forte conexão com as áreas produtoras do Centro-Sul, o Arco Norte ganha espaço especialmente no atendimento às regiões produtoras do Centro-Oeste e do Matopiba.
O desempenho também está relacionado à expansão da infraestrutura de transporte e armazenagem na região Norte, incluindo conexões rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias que permitem aproximar a produção agrícola dos terminais de exportação.
Milho ganha força nas rotas do Arco Norte
O avanço observado em 2026 ocorre em um cenário de crescimento das exportações brasileiras de milho. Até julho, o país havia exportado 9,8 milhões de toneladas do cereal, volume 10,53% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
No acumulado de janeiro a julho, o Arco Norte já concentrava 46,12% das exportações de milho, contra 22,27% destinadas por Santos. O resultado de agosto elevou a participação do corredor para 48,98%.
Entre os complexos portuários que integram essa estratégia logística estão estruturas localizadas no Maranhão, Pará e Amazonas, conectadas às regiões produtoras por diferentes modais de transporte.
Não é apenas o milho
A importância do Arco Norte também aparece em outras commodities agrícolas. Entre janeiro e agosto, o corredor respondeu por 38,85% das exportações brasileiras de soja. Santos, por sua vez, concentrou 34,42% dos embarques da oleaginosa.
No caso do farelo de soja, Santos manteve participação ainda mais elevada, com 44,02% das exportações brasileiras no período.
Os números mostram que a disputa pela carga agrícola não ocorre apenas entre portos, mas envolve a eficiência de toda a cadeia logística, desde a origem da produção até o embarque marítimo.
Infraestrutura passa a ser fator decisivo
O avanço do Arco Norte aumenta a importância dos investimentos em ferrovias, hidrovias, rodovias, armazenagem e capacidade portuária. À medida que cresce a participação dos terminais do Norte nas exportações, a eficiência desses corredores passa a ter impacto direto sobre custos logísticos e competitividade das commodities brasileiras.
Para o setor portuário, o movimento representa também maior demanda por capacidade de recepção, armazenagem e carregamento de granéis sólidos, além de operações cada vez mais integradas entre terminais, ferrovias, hidrovias e transporte rodoviário.
O desempenho de 2026 indica que o Arco Norte deixou de ser apenas uma alternativa logística e passou a ocupar posição central na estratégia brasileira de exportação de grãos.

