A transformação digital da navegação comercial está chegando ao interior dos contêineres. A Evergreen Marine ampliou para aproximadamente 58 mil unidades sua frota de contêineres refrigerados equipados com tecnologia de Internet das Coisas (IoT), criando uma rede capaz de acompanhar as condições das cargas durante praticamente toda a viagem.

A tecnologia permite transmitir informações sobre localização, temperatura, umidade e situação operacional dos equipamentos. Na prática, o contêiner deixa de ser apenas uma estrutura destinada ao transporte e passa a funcionar como um ativo conectado à cadeia logística.

A companhia apresentou os avanços de sua operação reefer durante a Asia Fruit Logistica 2026, em Hong Kong, evento internacional dedicado ao mercado de frutas e produtos frescos.

Alerta antes que a carga seja comprometida

Um dos principais ganhos está na capacidade de identificar anormalidades antes que elas se transformem em prejuízo.

Caso ocorra uma alteração de temperatura fora dos parâmetros programados, uma falha no equipamento ou mesmo uma abertura não autorizada da porta, o sistema pode gerar alertas para que as equipes responsáveis avaliem a ocorrência.

Esse acompanhamento é especialmente relevante para cargas perecíveis e de maior valor agregado, nas quais algumas horas operando fora das condições adequadas podem comprometer parte ou até a totalidade do produto transportado.

Frutas, alimentos, pescados e outros produtos sensíveis à temperatura estão entre as mercadorias que dependem diretamente da confiabilidade da cadeia do frio.

Dados entram na operação

O avanço da Evergreen não se limita à instalação de sensores.

As informações coletadas pelos equipamentos também podem ser utilizadas para acompanhar o desempenho das unidades refrigeradas. A análise dos dados permite identificar sinais de possíveis falhas e abre espaço para uma lógica de manutenção preditiva, antecipando intervenções antes que determinado componente apresente um problema durante a viagem.

Para embarcadores, a digitalização também representa maior visibilidade sobre aquilo que acontece com a mercadoria entre a origem e o destino.

A própria Evergreen disponibiliza serviço digital para acompanhamento de reefers, permitindo acesso a dados como temperaturas programada e registrada, umidade relativa, movimentação da carga e situação de energia do equipamento.

Dependendo da tecnologia utilizada, também podem ser acompanhados os níveis de oxigênio e dióxido de carbono dentro do contêiner.

Atmosfera controlada para aumentar a vida da carga

Outro componente da estratégia está nos contêineres com Atmosfera Controlada (CA).

Nesse sistema, as concentrações de oxigênio e dióxido de carbono no interior do equipamento são controladas para retardar processos naturais de amadurecimento e deterioração.

Produtos como banana, abacate e uva estão entre as cargas que podem se beneficiar dessa tecnologia, principalmente em viagens marítimas mais longas.

A lógica é simples: quanto maior o controle sobre o ambiente interno do contêiner, maior a possibilidade de preservar as características da mercadoria até sua chegada ao mercado consumidor.

Menor consumo de energia

A eficiência energética também entrou nessa equação.

Novas unidades refrigeradas vêm recebendo compressores de velocidade variável, capazes de ajustar seu funcionamento conforme a necessidade de refrigeração.

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Em vez de trabalhar constantemente na mesma intensidade, o sistema pode adequar a operação à demanda térmica daquele momento, reduzindo o consumo energético sem abandonar os parâmetros necessários à conservação da carga.

É uma evolução importante porque reefers estão entre os equipamentos que exigem fornecimento contínuo de energia durante diferentes etapas da cadeia logística, incluindo terminais portuários e transporte marítimo.

Contêiner inteligente ganha espaço

O movimento da Evergreen faz parte de uma transformação mais ampla da indústria de contêineres.

A digitalização está permitindo acompanhar não apenas onde uma carga está, mas também em quais condições ela está viajando.

A estratégia da companhia já vinha sendo construída nos últimos anos. Em relatório de sustentabilidade anterior, a Evergreen havia informado planos para ampliar significativamente a instalação de dispositivos IoT em seus reefers, com a meta de avançar progressivamente até alcançar toda a frota refrigerada.

Agora, chegar à marca de aproximadamente 58 mil unidades conectadas mostra a dimensão alcançada pelo projeto.

Para a cadeia logística, a consequência pode ser significativa: maior rastreabilidade, capacidade de antecipar problemas, redução de perdas e mais informações disponíveis para tomada de decisão.

No transporte marítimo refrigerado, portanto, a disputa por eficiência começa a ganhar uma nova variável.

Não basta mais saber onde está o contêiner. É cada vez mais importante saber, em tempo real, o que está acontecendo dentro dele.