A transformação do Porto de Santos não passa apenas pela ampliação de cais e pátios. Uma mudança importante também começa a acontecer dentro das operações: a substituição gradual de equipamentos movidos a diesel por máquinas elétricas.
Na margem esquerda do maior complexo portuário da América Latina, a DP World avança nessa direção com a incorporação de uma nova frota destinada à movimentação de contêineres.
O terminal recebeu 15 ITVs (Internal Terminal Vehicles) e três Reach Stackers 100% elétricas, equipamentos utilizados diariamente nas operações de transporte, movimentação e empilhamento de contêineres.
Com as novas Reach Stackers, a companhia informou ter se tornado o primeiro terminal do Porto de Santos a operar esse tipo de equipamento totalmente elétrico.
Mais do que uma renovação de frota, porém, as máquinas fazem parte de um movimento maior de expansão, modernização e descarbonização da operação santista.
500 toneladas de CO₂ podem deixar de ser emitidas por ano
Os 15 novos ITVs seguem o padrão de eletrificação adotado pela DP World em operações internacionais.
Segundo estimativas divulgadas pela companhia, considerando padrões internacionais de operação portuária, somente esses veículos poderão evitar a emissão de mais de 500 toneladas de CO₂ por ano, quando comparados aos modelos convencionais movidos a diesel.
Além da redução das emissões, a eletrificação traz outro benefício perceptível para quem trabalha diretamente dentro do terminal: menos ruído operacional.
Equipamentos elétricos também podem proporcionar ganhos relacionados à eficiência energética, manutenção e desempenho.
Em um terminal que funciona continuamente e movimenta grandes volumes de carga, a multiplicação desses ganhos ao longo de milhares de horas operacionais passa a ter relevância econômica e ambiental.
Reach Stacker elétrica coloca Santos em nova fase
As Reach Stackers estão entre as máquinas mais presentes na rotina de terminais de contêineres.
São utilizadas para levantar, transportar e empilhar unidades dentro dos pátios e áreas operacionais.
Tradicionalmente, essas máquinas dependem de motores a diesel devido à elevada potência necessária para movimentar contêineres que podem pesar dezenas de toneladas.
A adoção de versões elétricas mostra como a transição energética começa a alcançar justamente uma das atividades de maior intensidade operacional dos terminais.
A DP World afirma que a operação brasileira está também entre as primeiras da companhia nas Américas a utilizar Reach Stackers totalmente elétricas.
RTGs também passaram pela eletrificação
A estratégia não começou agora.
Outro projeto importante desenvolvido pela DP World em Santos envolve os RTGs (Rubber Tyred Gantry Cranes), grandes guindastes sobre pneus responsáveis pela organização e movimentação dos contêineres nos blocos do pátio.
A companhia destinou mais de R$ 100 milhões ao projeto de eletrificação de sua frota de RTGs, envolvendo a conversão de 22 equipamentos originalmente movidos a combustível fóssil para energia elétrica.
A iniciativa reduz a dependência do diesel justamente em equipamentos que permanecem longos períodos em operação dentro do terminal.
Dessa forma, Reach Stackers, ITVs e RTGs passam a formar diferentes frentes de uma mesma estratégia: aumentar a capacidade operacional sem reproduzir, na mesma proporção, o consumo de combustíveis fósseis.
Próxima etapa traz equipamentos de grande porte
A modernização não termina nos equipamentos que já chegaram.
O programa de investimentos da DP World contempla também a aquisição de quatro novos portêineres e 15 RTGs, além de dezenas de veículos internos e outros equipamentos destinados à expansão da operação de contêineres.
Os portêineres — também conhecidos internacionalmente como STS (Ship-to-Shore) — estão entre os principais equipamentos de um terminal de contêineres, realizando diretamente a transferência das unidades entre o navio e o cais.
A incorporação dessas máquinas está diretamente relacionada ao aumento de capacidade previsto para o terminal.
Mais de R$ 2 bilhões e uma meta de 2,1 milhões de TEUs
A eletrificação ocorre simultaneamente a um dos maiores ciclos recentes de investimentos privados na infraestrutura de contêineres do Porto de Santos.
Somadas as diferentes etapas anunciadas pela companhia, os investimentos superam R$ 2 bilhões.
Uma primeira fase contempla aproximadamente R$ 450 milhões e inclui a ampliação do cais em 190 metros, levando a estrutura para cerca de 1.290 metros de extensão.
Com essa etapa, a capacidade anual deverá alcançar aproximadamente 1,7 milhão de TEUs.
Posteriormente, a DP World anunciou um aporte adicional de R$ 1,6 bilhão, destinado a uma segunda fase de expansão.
O objetivo é chegar a 2,1 milhões de TEUs por ano até 2028.
Essa etapa inclui novo píer de atracação, expansão da retroárea, melhorias no gate, novas áreas de inspeção, estruturas adicionais para contêineres refrigerados e novos equipamentos.
Crescer sem simplesmente multiplicar emissões
É justamente a combinação entre expansão e eletrificação que merece atenção.
Terminais maiores naturalmente demandam mais equipamentos, mais energia e maior intensidade operacional.
O desafio passa a ser aumentar a capacidade de movimentação sem permitir que o crescimento físico provoque uma elevação proporcional das emissões.
No caso da DP World, a estratégia inclui não apenas equipamentos elétricos.
A companhia também informa utilizar energia renovável certificada e mantém iniciativas de reaproveitamento dos resíduos produzidos pela operação.
A meta global da empresa prevê avançar na redução das emissões de suas atividades nas próximas décadas.

