A Arauco, multinacional chilena do setor florestal, anunciou um investimento de R$ 2 bilhões na construção de um terminal portuário no Porto de Santos, voltado à exportação de celulose. O projeto integra um pacote logístico mais amplo, estimado em R$ 4,4 bilhões, que permitirá o transporte anual de 3,5 milhões de toneladas entre Inocência (MS) e o litoral paulista.

A nova estrutura será instalada na margem direita do porto santista, na região da Alemoa, e funcionará como ponto final de um corredor logístico de aproximadamente 1.050 quilômetros. O terminal será responsável por receber a produção da fábrica em construção no Mato Grosso do Sul e viabilizar o embarque da carga para mercados internacionais, com destaque para a Ásia.

O plano logístico contempla ainda a implantação de um ramal ferroviário de 50 quilômetros, aquisição de locomotivas e vagões, além da operação portuária em Santos. Toda a estrutura foi planejada para atender à futura unidade industrial da empresa, considerada a maior fábrica de celulose do mundo, com início de operação previsto para o quarto trimestre de 2027.

Localizada em Inocência, cidade com cerca de 8,8 mil habitantes, a planta industrial, chamada Projeto Sucuriú, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de eucalipto, sendo quase toda a produção destinada à exportação. O investimento total nessa etapa industrial e no plantio florestal chega a US$ 4,6 bilhões, equivalente a mais de R$ 24 bilhões.

Atualmente, cerca de 11 mil trabalhadores atuam na construção da fábrica, número que deve atingir 14 mil no pico das obras. A previsão é de que a produção comece em cerca de 20 meses, exigindo que toda a cadeia logística esteja pronta simultaneamente.

O terminal portuário em Santos representa o último elo desse sistema integrado. A iniciativa foi viabilizada após a aquisição da concessão do TUP Alemoa S/A, anteriormente pertencente à Terminal Marítimo Alemoa S.A. A operação já recebeu autorização técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários e aguarda aval final do Ministério de Portos e Aeroportos.

Com o andamento do processo regulatório, a empresa já pode iniciar etapas como o licenciamento ambiental. O projeto prevê uma área de aproximadamente 200 mil metros quadrados, com obras de dragagem, construção de berços de atracação, píeres, áreas de armazenagem e acessos rodoviários e ferroviários. Inicialmente, dois berços serão construídos, com possibilidade de expansão futura.

O terminal terá profundidade de 14,5 metros e será capaz de receber navios com capacidade entre 50 mil e 80 mil toneladas. A Arauco já firmou contratos com armadores internacionais, que encomendaram embarcações em estaleiros chineses para atender à demanda.

A previsão é de que as obras do terminal sejam concluídas em cerca de 18 meses, com entrega estimada para setembro de 2027, alinhada ao cronograma da fábrica e da ferrovia.

Para viabilizar o investimento total em logística, a empresa avalia diferentes fontes de financiamento, incluindo linhas do BNDES e do Fundo da Marinha Mercante.

Outro destaque do projeto é o impacto positivo na logística terrestre. Com o transporte ferroviário, a expectativa é retirar até 200 caminhões por dia das rodovias, reduzindo custos, aumentando a segurança e diminuindo a emissão de gases poluentes.

O escoamento da produção será realizado por trens com até 100 vagões, cada um com capacidade de 96 toneladas, operados pela Rumo Logística, do grupo Cosan. O contrato firmado entre as empresas tem duração de 10 anos e inclui tanto o transporte na malha ferroviária quanto a operação no ramal dedicado.

Para essa operação, a Arauco adquiriu 26 locomotivas fabricadas em Minas Gerais e 721 vagões produzidos no interior de São Paulo. Somente essa etapa logística representa um investimento de R$ 2,4 bilhões.

Durante a fase de construção do terminal em Santos, estão previstos cerca de 1.850 empregos. Já na operação, a expectativa é de geração de 350 a 400 postos de trabalho. No ramal ferroviário, em Inocência, aproximadamente mil pessoas já estão sendo empregadas desde o início das obras, em fevereiro.