O Ministério dos Transportes apresentou ao mercado uma carteira com sete projetos de ferrovias de curta extensão, as chamadas shortlines, que poderão ampliar a conexão entre regiões produtoras, centros logísticos, terminais e a malha ferroviária nacional.

Os projetos foram apresentados nesta semana a empresas e instituições financeiras, em São Paulo, e estão distribuídos pelas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A expectativa do governo é levar pelo menos dois dos trechos a leilão ainda em 2026, utilizando o modelo de autorização ferroviária previsto no Marco Legal das Ferrovias.

O modelo permite que empresas privadas construam e operem ferrovias por conta própria, seguindo as regras estabelecidas pela legislação, em uma estrutura diferente das concessões tradicionais.

Sete projetos entram no radar

A carteira apresentada pelo Ministério dos Transportes reúne trechos com diferentes vocações logísticas e de transporte:

  • Cruz Alta – Santo Ângelo (RS): 108 quilômetros, com potencial para movimentação de soja, milho e fertilizantes;
  • Santo Ângelo – Santa Rosa (RS): 65 quilômetros, com possibilidade de integração de cooperativas e cargas;
  • Roncador Novo – Jardim Ingá (GO): 245 quilômetros, com potencial para conexão com porto seco;
  • General Carneiro – Miguel Burnier (MG): 92 quilômetros, voltados principalmente aos segmentos de minério e siderurgia, além de potencial turístico;
  • Aguaí – Bauxita (SP/MG): 75,4 quilômetros, conectando-se à rede ferroviária paulista;
  • Campina Grande – Cabedelo (PB): 163,2 quilômetros, com proposta de integração logística multimodal e urbana;
  • Brasília – Luziânia (DF/GO): 60,5 quilômetros, com foco no transporte regional de passageiros.

A diversidade dos projetos mostra que a estratégia não está concentrada exclusivamente no transporte de commodities. A carteira inclui desde corredores voltados ao agronegócio, fertilizantes, mineração e siderurgia até propostas com utilização para passageiros.

Ferrovia e logística portuária

Para o setor portuário, um dos pontos de atenção está na possibilidade de novas conexões ferroviárias ampliarem a área de influência de terminais e corredores logísticos.

O projeto entre Campina Grande e Cabedelo, por exemplo, prevê uma conexão multimodal, enquanto o trecho entre Roncador Novo e Jardim Ingá apresenta potencial para implantação de um porto seco. Já os projetos gaúchos têm relação direta com cargas agrícolas e fertilizantes.

A ampliação de ramais e conexões também pode contribuir para aproximar regiões produtoras da infraestrutura ferroviária de maior capacidade, dependendo da viabilidade técnica e econômica de cada empreendimento.

Minas-Rio terá leilão em dezembro

Paralelamente à nova carteira de shortlines, o governo mantém o cronograma para o leilão do Corredor Minas-Rio, marcado para 17 de dezembro de 2026.

Com aproximadamente 733 quilômetros, o corredor atualmente é operado pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O projeto será dividido em dois lotes e prevê que o futuro operador assuma a manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura. Também deverá apresentar, em até dois anos, um plano de recapacitação da ferrovia.

Segundo declaração do ministro dos Transportes, George Santoro, CSN e MRS estudam conjuntamente o projeto Minas-Rio.

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Outros projetos avançam para 2027

O Ministério dos Transportes também informou que pretende publicar ainda em 2026 os editais do Anel Ferroviário Sudeste (EF-118) e da Malha Oeste. Os respectivos leilões, porém, devem ocorrer em 2027.

Em paralelo, o governo trabalha com uma carteira mais ampla para recuperar trechos ferroviários atualmente sem operação. Segundo o Ministério dos Transportes, o novo modelo poderá abrir caminho para chamamentos públicos envolvendo aproximadamente 10 mil quilômetros de ferrovias devolvidas por concessionárias.

O movimento coloca a infraestrutura ferroviária no centro da agenda de expansão logística, com projetos que podem conectar áreas produtoras, terminais e diferentes modais de transporte. Para os portos, a evolução dessas iniciativas será acompanhada principalmente pelos impactos sobre origem e destino das cargas, capacidade dos corredores e integração ferroviária com a infraestrutura portuária.