Guarujá pretende ampliar sua participação na cadeia logística do Porto de Santos com a estruturação de uma zona retroportuária de aproximadamente 4,5 milhões de metros quadrados. A Prefeitura prepara um plano de desenvolvimento para organizar a ocupação da área e estimular a instalação de atividades ligadas ao transporte, à armazenagem e ao comércio exterior.
A iniciativa busca aproveitar a posição estratégica do município na Margem Esquerda do Porto de Santos, onde estão concentrados terminais e estruturas de apoio à movimentação de cargas. O planejamento também coloca em discussão a necessidade de compatibilizar a expansão logística com a infraestrutura urbana e os acessos terrestres.
A proposta foi divulgada em reportagem do portal Portos e Navios, publicada em 15 de outubro de 2026.
A criação de uma zona retroportuária planejada pode favorecer a organização de áreas destinadas a serviços logísticos, armazenagem e atividades de apoio aos terminais. Para que esse potencial se transforme em capacidade operacional, entretanto, será necessário detalhar a ocupação prevista, a infraestrutura disponível e as condições de acesso às instalações.
O planejamento territorial ganha importância diante das demandas de circulação de caminhões, integração entre modais e disponibilidade de áreas para atividades relacionadas ao comércio exterior.
A expansão também precisa considerar os efeitos sobre a mobilidade
Margem Esquerda tem papel estratégico
A Margem Esquerda concentra parte relevante das operações do Porto de Santos e integra a estrutura de escoamento das cargas movimentadas pelo complexo.
Em junho de 2026, a Autoridade Portuária de Santos apresentou um conjunto de projetos de infraestrutura que inclui a ampliação da Avenida Perimetral na margem esquerda, com investimento estimado em R$ 1 bilhão. A proposta busca melhorar o fluxo de caminhões e a conexão com áreas retroportuárias de Guarujá, mas depende das etapas de análise e aprovação necessárias.
A articulação entre planejamento municipal e investimentos portuários será importante para evitar que a expansão das atividades ocorra sem acessos compatíveis com a demanda futura.
Potencial depende de infraestrutura e execução
A dimensão da área prevista evidencia a escala do planejamento, mas não representa, por si só, uma capacidade logística já instalada ou um investimento integralmente contratado.
O avanço do projeto dependerá do detalhamento do plano municipal, das condições de ocupação das áreas, da infraestrutura necessária e da viabilidade dos empreendimentos que poderão ser implantados.
Para o setor portuário, o desafio é transformar a disponibilidade territorial em instalações capazes de apoiar o crescimento das operações, com integração eficiente entre terminais, transportadores e serviços logísticos.
O desenvolvimento da zona retroportuária poderá ampliar as oportunidades econômicas de Guarujá, desde que acompanhado por planejamento, infraestrutura e execução coordenada entre os agentes públicos e privados.


