A Organização Marítima Internacional intensificou o alerta global sobre a crise no Golfo Pérsico, ao cobrar esforços coordenados para a retirada de cerca de 20 mil marinheiros que permanecem em navios retidos na região desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro.

Durante reunião virtual com ministros das Relações Exteriores de mais de 40 países, organizada pelo governo do Reino Unido, o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, destacou a urgência de ampliar as ações diplomáticas para garantir a segurança e o resgate das tripulações.

A entidade propôs a criação de corredores humanitários e reforçou a necessidade de respeito ao direito internacional e à liberdade de navegação. Segundo a IMO, os marítimos enfrentam condições críticas a bordo, com escassez de suprimentos, fadiga extrema e elevado nível de estresse psicológico.

Dominguez também defendeu a suspensão imediata de ataques a embarcações civis e a adoção de soluções práticas e neutras para permitir a saída dos navios retidos. “Respostas fragmentadas já não são suficientes para resolver esta crise. O que é urgentemente necessário é o envolvimento diplomático, soluções práticas e neutras e uma ação internacional coordenada”, afirmou.

A IMO informou que trabalha na elaboração de um plano de evacuação marítima baseado na cooperação entre Estados costeiros, garantias de segurança e coordenação operacional. O objetivo é liberar as embarcações, assegurar a retirada segura das tripulações e evitar um possível desastre ambiental na região.

Desde o início das hostilidades, a organização confirmou 21 ataques a navios mercantes, resultando na morte de 10 marinheiros e deixando vários outros gravemente feridos, evidenciando o agravamento da situação.

As negociações seguem em andamento entre a IMO e governos envolvidos para estabelecer um mecanismo de passagem segura no Golfo Pérsico. Países da região já sinalizaram disposição para garantir o abastecimento das embarcações e facilitar o acesso humanitário às tripulações.

O cenário reforça a crescente preocupação da comunidade internacional com a segurança da navegação em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, essencial para o transporte global de energia e mercadorias.