O Irã divulgou nesta quarta-feira (22) imagens que, segundo o governo de Teerã, mostram a apreensão de dois navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, gás e cargas conteinerizadas.
O vídeo, atribuído à Guarda Revolucionária do Irã e veiculado pela TV estatal iraniana, mostra militares armados abordando os navios porta-contêineres MSC Francesca e Epaminondas.
Nas imagens, lanchas rápidas com bandeiras iranianas se aproximam das embarcações, enquanto soldados sobem a bordo portando fuzis e realizam uma varredura interna nos navios.
Segundo as autoridades iranianas, as embarcações foram apreendidas por supostas ligações com Israel, operação sem as autorizações exigidas e, ainda, por alegada adulteração dos sistemas de navegação. As acusações, no entanto, ainda seguem sob apuração internacional.
Dados de rastreamento marítimo confirmaram que ambos os navios estavam a aproximadamente 15 quilômetros da costa iraniana no momento da abordagem. Informações de inteligência marítima também apontam que um terceiro navio, de bandeira liberiana, teria sido alvo de disparos na mesma região, elevando ainda mais o clima de instabilidade no corredor marítimo.
A apreensão do MSC Francesca, que navegava sob bandeira do Panamá, foi confirmada pelo ministro de Assuntos Marítimos de Montenegro, Filip Radulović, que informou a presença de quatro marinheiros montenegrinos a bordo.
De acordo com o ministro, toda a tripulação permanece em segurança e negociações diplomáticas estão em andamento.
Nesta quinta-feira (23), o chefe do Judiciário iraniano, Mohseni Ejei, classificou a operação como uma “demonstração de força” das Forças Armadas do país, afirmando que a ação representa motivo de orgulho nacional.
O episódio amplia a preocupação do setor marítimo internacional, especialmente por ocorrer no Estreito de Ormuz, passagem responsável historicamente por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e derivados.
A tensão na área já provoca reflexos no mercado internacional de energia e nas cadeias logísticas globais, com aumento do custo do frete e pressão sobre os preços do petróleo.
