A Índia e a União Europeia concluíram um acordo de livre comércio após quase duas décadas de negociações. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que classificou o pacto como o mais ambicioso já firmado pelo país.

O acordo cria uma zona de livre comércio que abrange cerca de 2 bilhões de pessoas, em um momento de fortes tensões geopolíticas e comerciais. Juntas, Índia e UE representam aproximadamente 25% do PIB global e perto de um terço do comércio mundial.

As tratativas, retomadas em 2022, avançaram diante do endurecimento tarifário dos Estados Unidos. Desde agosto do ano passado, a Índia enfrenta tarifas de até 50% impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, o que acelerou a busca por mercados alternativos.

Segundo a Comissão Europeia, a UE eliminará ou reduzirá tarifas sobre 99,5% dos produtos importados da Índia ao longo de sete anos. Em contrapartida, Nova Déli cortará tarifas sobre 96,6% das remessas europeias, com expectativa de duplicar as exportações do bloco para a Índia até 2032.

Entre os destaques, a Índia reduzirá tarifas sobre automóveis de 110% para até 10%, dentro de uma cota anual de 250 mil veículos. Bebidas alcoólicas, vinhos, máquinas, equipamentos elétricos e produtos químicos também terão cortes de impostos.

O comércio bilateral já é forte. No ano fiscal encerrado em março de 2025, as trocas entre Índia e UE somaram US$ 136,5 bilhões, tornando o bloco o maior parceiro comercial de Nova Déli. Ainda assim, a Índia responde por apenas 2,4% do comércio total de bens da UE.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o pacto sinaliza a escolha do “comércio justo em vez das tarifas” com foco em cooperação em um cenário global mais fragmentado.

Especialistas avaliam que, apesar do impacto positivo, o acordo não substitui a importância dos Estados Unidos para a Índia. Em 2024, o superávit comercial indiano com os EUA foi de US$ 45,8 bilhões, frente a US$ 25,8 bilhões com a UE.