A JBS Terminais confirmou interesse em participar do futuro leilão de arrendamento definitivo do terminal ITJ01, no Porto de Itajaí, em Santa Catarina. A perspectiva foi apresentada pelo CEO da companhia, Aristides Russi Júnior, em entrevista publicada pelo jornal A Tribuna, na qual abordou a recuperação da movimentação de contêineres, os investimentos realizados e os desafios de infraestrutura que influenciam a competitividade do complexo portuário.

À frente da operação desde outubro de 2024, a empresa já movimentou mais de 800 mil TEUs em dois anos, período marcado pela retomada das atividades após aproximadamente dois anos de paralisação da movimentação de contêineres. Segundo informações divulgadas pela própria companhia, os investimentos destinados à recuperação, modernização e ampliação da estrutura chegaram a quase R$ 250 milhões.

Entre janeiro e setembro de 2026, foram movimentados quase 500 mil TEUs, volume 73% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2022, antes da interrupção das operações.

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Um dos pontos destacados pelo executivo é a necessidade de estabelecer condições contratuais de longo prazo para viabilizar novos projetos. Atualmente, a JBS opera sob contrato transitório, situação que exige maior cautela na avaliação de investimentos cuja amortização depende de um horizonte operacional mais amplo.

Segundo Russi Júnior, a empresa pretende disputar o arrendamento definitivo, mas a decisão dependerá das condições estabelecidas no edital, da viabilidade econômico-financeira, das obrigações previstas e da segurança jurídica do contrato.

Novo aporte de R$ 15,2 milhões

Paralelamente à discussão sobre o futuro arrendamento, a JBS anunciou um investimento adicional de R$ 15,2 milhões para modernizar os sistemas de inspeção de cargas e melhorar o fluxo de caminhões no terminal.

O projeto contempla duas frentes: aprimoramento dos processos de inspeção e intervenções para tornar mais ágil a entrada, circulação e saída dos veículos rodoviários.

A iniciativa busca acompanhar o crescimento da movimentação e reduzir possíveis gargalos nas operações terrestres, especialmente diante do aumento dos volumes de contêineres.

De acordo com a companhia, a operação também conta com uma estrutura de mais de um quilômetro de cais, atendendo atualmente 12 linhas regulares de navegação, conforme informado pelo CEO na entrevista.

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Canal de acesso continua no centro dos desafios

Outro tema relevante abordado pelo executivo envolve as condições de navegabilidade do canal de acesso ao complexo Itajaí-Navegantes.

O assoreamento e as restrições operacionais exigem acompanhamento permanente, manutenção da dragagem e planejamento de infraestrutura compatível com o crescimento da movimentação.

Na avaliação de Russi Júnior, a dragagem de manutenção é indispensável, mas a competitividade de longo prazo depende de uma estratégia mais abrangente, incluindo monitoramento contínuo, planejamento e condições adequadas para receber embarcações de maior porte.

O CEO também considera positiva a perspectiva de concessão do canal de acesso, desde que o modelo estabeleça responsabilidades claras, continuidade dos serviços e previsibilidade dos investimentos.

A avaliação reforça um aspecto importante da logística portuária: a produtividade dos terminais não depende exclusivamente da infraestrutura de cais e pátio. As condições de acesso aquaviário são determinantes para a regularidade das escalas, o planejamento dos armadores e a eficiência de toda a cadeia logística.

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Competitividade com os terminais privados

A disputa por cargas com a Portonave, localizada em Navegantes, também integra a estratégia de crescimento do Porto de Itajaí.

Para o executivo, a competitividade depende da combinação entre produtividade operacional, qualidade dos acessos, custos e confiabilidade dos serviços oferecidos aos armadores e donos de carga.

O terminal público possui localização estratégica e uma base relevante de importadores e exportadores, mas precisa manter investimentos e condições operacionais que permitam disputar mercado com os terminais privados da região.

A expansão da infraestrutura, a definição do contrato definitivo e a evolução das condições do canal de acesso serão fatores importantes para determinar o espaço que Itajaí poderá ocupar no mercado de movimentação de contêineres nos próximos anos.

Perspectivas para os próximos anos

Com mais de 800 mil TEUs movimentados desde a retomada e investimentos próximos de R$ 250 milhões, o Porto de Itajaí apresenta uma recuperação expressiva de sua atividade operacional.

O próximo passo será transformar essa retomada em um ciclo sustentável de crescimento, com previsibilidade contratual, modernização da infraestrutura e melhores condições de acesso aquaviário.

O leilão do ITJ01 deverá representar um marco para o futuro do complexo, definindo as condições para a continuidade da operação e os compromissos de investimento do futuro arrendatário.

Para o comércio exterior brasileiro, especialmente para a indústria exportadora e importadora do Sul do país, a consolidação do Porto de Itajaí representa um componente relevante da infraestrutura logística regional.